“Quadros tucanos como o senador Aécio Neves já trabalham com a certeza da derrota de José Serra para Fernando Haddad no domingo 27; resultado quebrará as últimas sentinelas que candidato a prefeito de São Paulo tem no ex-presidente FHC e no governador Geraldo Alckmin; líder nas pesquisas em Manaus, Arthur Virgílio assumirá papel central na reconstrução do partido; projeto de futuro passa pelo sepultamento político do duas vezes candidato a presidente
Brasil 247
O dia 27 de outubro de 2012 marcará o renascimento do PSDB. É com essa data e objetivo que trabalham líderes partidários como o senador Aécio Neves e o candidato a prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto. Será também a partir do domingo apontado, data do segundo turno das eleições municipais, que o ex-presidente Fernando Henrique e o governador Geraldo Alckmin irão se reposicionar diante da nova configuração dos tucanos. Em todas as contabilidades políticas internas, um personagem até aqui predominante terá de, necessariamente, ser extirpado do cérebro partidário para que novas artérias se abram: José Serra.
O convívio que sempre foi difícil entre o candidato a prefeito de São Paulo e as demais correntes tucanas, inclusive a paulista, tornou-se impraticável diante das posições políticas assumidas por Serra na atual campanha. Especialmente neste segundo turno. Políticos centristas e liberais como o Aécio e Arthur Virgílio chegam a temer por uma guinada ideológica do PSDB, cuja raiz social-democrata vai sendo podada a enxadas pelas alianças costuradas por Serra com nomes como o Pastor Silas Malafaia, o ex-comandante da Rota paulista Coronel Telhada e posicionamentos frontalmente contrários à diversidade sexual.
No caso da eleição de Serra à principal Prefeitura do País, e com o pendor dele a dominar nacionalmente o partido, além da aliança tácita com o PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab, os tucanos de fora de São Paulo temem que ocorra, em ato contínuo, a desfiguração ideológica da agremiação que ajudaram a fundar, o que provocaria uma diáspora. Eles avaliam que, neste caso, Serra empalmaria o comando com mão de ferro, carregando-a para o lado direito do espectro político.”