ALCKMIN EM APUROS SOFRE ADVERSIDADES INÉDITAS
Pela primeira vez em sua carreira, governador terá adversários fortes na disputa pela cargo; cada um ao seu modo, Alexandre Padilha (PT), Gilberto Kassab (PSD), Celso Russomano (PRB) e Paulo Skaf (PMDB) têm votos cativos que minam à esquerda e à direita as bases tucanas; com o PSDB paulista abatido pelo escândalo Alstom-Siemens e imobilizado pelo vai-não-vai de José Serra, Geraldo Alckmin terá dificuldades em fazer alianças e transitar com leveza entre a capital e o interior, como sempre gostou de fazer; como ele vai sair dessa?
28 DE SETEMBRO DE 2013 ÀS 15:39
247 – O governador Geraldo Alckmin está em apuros. Para onde quer que olhe, enxerga um adversário de peso. Trata-se de uma situação inédita em sua longa carreira política. Desde que foi escolhido por Mario Covas, em 1994, para ser seu vice-governador, Alckmin, na prática, só conheceu a face rósea do poder. Ele perdeu, sim, duas eleições, para prefeito de São Paulo (2006) e presidente da República (2008), mas foi recompensado, a seguir, com uma vitória para o governo do Estado, em 2010.
Na prática, Alckmin foi vice por seis anos (1995-2001) e governa, com intervalo, por oito anos (2001-2006 e 2010 até agora). Em seu terceiro mandato, ele ainda tem direito à reeleição. Mas aí que estão elas.
O páreo de 2014 anuncia-se como o mais difícil que Alckmin já enfrentou. Não é apenas do PT do ministro Alexandre Padilha que vem o perigo. O ex-prefeito Gilberto Kassab certamente será um dos concorrentes que irá disputar no mesmo campo ideológico que o seu, o centro-direita. E como franco-atiradores é quase certo que ele terá de enfrentar o experimentado deputado federal Celso Russomano, do PRB e maior surpresa da eleição municipal de 2012, e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que, se ainda não empolga na política, mantém preservada sua capacidade de arrecadar recursos e contar com a estrutura estadual da entidade para disseminar seu nome, hoje no PMDB.
MORAL BAIXO - Dentro do PSDB, o quadro igualmente nunca lhe foi tão desfavorável. Ao compreensível desgaste por uma administração partidária de 20 anos, a completar-se em 2015, soma-se o escândalo Alstom-Siemens, de corrupção no sistema estadual de transportes, à volta de trens urbanos da Grande São Paulo e o metrô da capital. Prato cheio para os adversários.
Num partido intimidado pelo pacote de denúncias do qual não param de sair más notícias, Alckmin sente também os efeitos da dissidência aberta, na prática, pelo ex-governador José Serra. Sem aceitar a candidatura do senador Aécio Neves a presidente, mas igualmente sem condições de fazer-lhe frente, Serra findou por prender os tucanos paulistas numa gaiola incômoda, isolando-os do restante do partido – eles que nunca foram tão afeitos assim à unidade da agremiação. Piorou tudo, acrescentando dificuldades para a feitura de alianças.
No Estado, o moral do PSDB baixou visivelmente. O escândalo de corrupção atinge e resvala por alguns de seus principais quadros. Na capital, o vereador Andrea Matarazzo, desde sempre integrante da cúpula tucana estadual, foi atingido em cheio nas denúncias de distribuição de propina pela Alstom. No interior, um dos pilares políticos do governador, o ex-prefeito de São José dos Campos e ex-secretário estadual Emanuel Fernandes, sai respingado nas denúncias de executivos da Siemens em torno dos trens e metrô. Até mesmo o finado padrinho de Alckimin saiu chamuscado. O fio da meada indica que o esquema começou a ser montado exatamente nos primórdios do governo Mario Covas.
Até ai, ok, são questões política que a habilidade em alianças e bastidores pode superar. O problema, para Alckmin, é que uma crise real bate às portas do Palácio do Bandeirantes. Já de muito tempo o Estado cresce a níveis medíocres, com o reflexo social da interiorização da pobreza.O interior, como se sabe, é um terreno propício para Alckmin buscar os votos que, em tese, devem lhe faltar na capital em razão do aumento nos índices de criminalidade, tranporte caótico e poluição atmosférica em níveis alarmantes. Desta vez será mais difícil dizer, para os tucanos, que, estando tudo tão bem, será mesmo melhor que eles continuem. Em outras palavras, o discurso da continuidade não deve pegar bem.
EMPOLGAÇÃO NO PT - Não é tudo. Se em Gilberto Kassab Alckmin tem um adversário craque de bastidores, capaz de comer por dentro as bases serristas do PSDB, o governador encontrará no ministro Padilha, do PT, um candidato que terá uma máquina partidária no ponto máximo da animação.
Os petistas já se empolgam com a reeleição de Dilma Rousseff e, em São Paulo, terão em Lula um puxador de votos de luxo. Mais ainda, o partido resolveu, com grande antecedência, suas questões internas. Mesmo sem poder declarar-se, Padilha é o candidato de todos. De quebra, terá o apoio de Fernando Haddad, o prefeito da capital que acabou de mostrar o caminho de sucesso para uma candidatura novata.
Na noite da sexta-feira 27, o PT deu uma impressionante demonstração de força e unidade ao lotar com mais de mil militantes o auditório em que foi lançada a candidatura à presidência estadual de Emídio de Souza, ex-prefeito de Osasco. Político hábil e enfático, franco favorito à disputa interna, Emídio estabeleceu um discurso duro para enfrentar Alckmin.
"Temos de dizer que não são os tucanos que governam São Paulo sem competência há 20 anos", conclamou o futuro presidente do PT à militância."Temos de dizer que o incompetente é o Alckmin, que esteve em todos esses governos. É a ele que temos de derrotar".
Com esse trem vindo na sua direção, o governador vai precisar de muita estratégia - e sorte - para continuar nos trilhos.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/116219/Alckmin-em-apuros-sofre-adversidades-in%C3%A9ditas.htm