CAMPOS E MARINA FAZEM STRIKE NAS SEMANAIS
Se um dos objetivos era ter maior exposição midiática, eles conseguiram; aliança entre o governador de Pernambuco e a ex-senadora foi assunto de capa nas principais revistas do País, com direito a entrevistas em todas elas, incluindo Veja; à IstoÉ, da Editora Três, Eduardo Campos declara que "agora é nossa vez", numa referência ao que considera o momento de saída do poder de PSDB e PT; no meio da semana, a publicação econômica da Abril, Exame, exaltou a dupla como "a nova oposição"; Época, da Globo, afirma que a chapa tem peso de dois candidatos contra a presidente Dilma e que "embaralha o jogo eleitoral"; sem palavras, Carta Capital destaca a dúvida que a "inesperada" união deixa para 2014
13 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 11:15
247 – A filiação de Marina Silva ao PSB, anunciada formalmente no último sábado, ganhou a capa das principais revistas semanais do País neste fim de semana, com direito a entrevistas ping pong da ex-senadora e do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, em Veja, da Editora Abril. A união foi destaque também na IstoÉ, para quem Campos concedeu uma entrevista exclusiva, na Exame, publicação econômica da Abril, que exalta a dupla como a "nova oposição", na Época, da Editora Globo, que afirma que a chapa tem o peso de dois candidatos, e na Carta Capital, que, sem palavras, expressou a dúvida que a filiação deixa no cenário eleitoral de 2014.
Este é um sinal expressivo do rebuliço que a aliança vem provocando no ambiente político. Petistas chamam Campos, aliado histórico do PT e do ex-presidente Lula, de "traidor". Os militantes da Rede Sustentabilidade, partido idealizado por Marina mas que não chegou a ser registrado a tempo das eleições, se viram surpreendidos e, muitos, insatisfeitos com o anúncio. Até mesmo dentro do PSB a notícia foi inesperada para muita gente. Enquanto isso, a ex-ministra chegou falando mal de aliados e desmanchando alianças já certas para o próximo ano, como com o DEM, do deputado Ronaldo Caiado, que acabou sendo preterido por Campos em favorecimento de Marina.
"Não é hora de discutir intenção de voto"
À Veja, Eduardo Campos declara que Marina Silva veio para "adensar" seu projeto e que este não é o momento para discutir intenções de voto. A entrevista foi publicada antes da divulgação do Datafolha, que aponta Marina à frente de Campos. "A candidatura que já estava posta era a minha, e a Marina veio para adensar esse projeto. Não é hora de ficar discutindo intenção de voto", afirmou. O governador também admitiu ter divergências com a nova aliada. "Não é uma aliança entre iguais. Eram dois projetos distintos que, por contingência, se uniram. Não tivemos nem uma semana para tratar das divergências ainda", declarou. Campos voltou a criticar a polarização de partidos no poder: "Chega dessa disputa entre PT e PSDB".
"Aliança não é contra ninguém"
Marina Silva declarou não "agir por vingança" ao ter se filiado ao PSB. "Essa aliança não é contra ninguém, é a favor da política. Ninguém suporta mais esse atraso que pode minar as conquistas dos governos de Fernando Henrique, Lula e Dilma. E só uma terceira força poderá mudar o país. Não ajo por vingança, mas por uma legítima defesa da esperança", declarou a ex-ministra, também em entrevista à revista da Editora Abril. Sobre a possibilidade de inversão de chapa, declarou: "eu jamais discuti isso". E, como Campos, admitiu divergências. "Nós somos de partidos diferentes e faremos um esforço para montar uma candidatura nacional. As divergências, obviamente, existem. E os dois lados terão de ceder um pouco".
Datafolha
Na primeira pesquisa feita após a migração da líder da Rede para o PSB, o cenário ainda se mostrou bastante favorável para a ainda possível candidata à presidência – uma vez que o partido afirmou que só definirá em 2014 o nome a concorrer na chapa. Segundo João Paulo Capobianco, integrante da Comissão Nacional da Rede e coordenador da campanha de Marina em 2010, a ex-senadora recebeu a pesquisa com otimismo. "Ela cresce, e o Eduardo também cresce. Avalio como positivo se olharmos o nível de conhecimento, o índice de rejeição (de Marina). O caminho da coalizão é bastante interessante", avaliou Capobianco, segundo o jornal O Globo. Os números mostram que ela é a candidata mais próxima da presidente Dilma Rousseff.
O PSB também comemorou o resultado, especialmente pelo fato de Eduardo Campos ter crescido entre o eleitorado de maior escolaridade e renda. Na avaliação da equipe, o desafio é manter um bom desempenho entre as classes mais altas. Para o presidente do PSB, a pesquisa mostra que as pessoas estão vendo "um novo caminho". "Uma semana depois de anunciada a união entre PSB e Rede, fico feliz ao ver que, à medida que as pessoas tomam conhecimento dessa aliança programática, vão percebendo que há um novo caminho possível", disse o governador neste sábado, segundo a Folha.
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/117585/Campos-e-Marina-fazem-strike-nas-semanais.htm
TORQUATO: BOMBA DE HOJE PODE VIRAR TRAQUE AMANHÃ
Cientista político Gaudêncio Torquato avalia que a aliança Campos-Marina pode perder força nos próximos meses; "a união estará sujeita a trovoadas e já se ouvem trovões", diz ele
13 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 09:44
247 - Bomba na primavera, traque no verão. Essa é a leitura que o cientista político Gaudêncio Torquato faz da aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva. Leia, abaixo, sua análise publicada no Estado de S. Paulo:
Anote-se na agenda das mutações tupiniquins: a bomba da primavera de 2013 pode ser o traque do verão de 2014. A hipótese é bastante sustentável na esfera da política. Quem diria que a sonhática Maria Osmarina Silva de Lima, ex-seringueira e ex-senadora do Acre, se uniria em aliança política com o pragmático e garboso governador de Pernambuco, Eduardo Henrique Accioly Campos, comandante do PSB, para juntos lutarem pela cadeira presidencial?
O sonho de Marina Silva é depurar as práticas da velha política, banhando-as nas águas da ética, ou, em seus termos, "assumir responsabilidades com a sustentabilidade política, social, ambiental e cultural". O pragmatismo de Campos tem como ideia "aposentar um bocado de raposas que estão enchendo a paciência do povo brasileiro para o Brasil seguir em frente". A propósito, o governador, tempos atrás, já confessara a este escriba a meta de reunir no mesmo espaço "o grupo pós-64" (citando Aécio Neves, Gilberto Kassab, Ciro e Cid Gomes, entre outros), assumir o comando da Nação e dar adeus aos guerreiros da velha-guarda.
A fome moral da líder da Rede Sustentabilidade e a vontade do neto de Miguel Arraes de presidir a mesa dos comensais do poder produziram o artefato de maior repercussão neste ciclo pré-eleitoral. Como é costume no balcão de nossos produtos políticos, as dobraduras da engrenagem deixam de ser examinadas de forma a mostrar se estão ajustadas ou até se faltam parafusos para dar lugar ao "feito extraordinário" que, à primeira leitura, induz à convicção de que tal parceria abre um rombo nos costados da candidatura governista. Nem se atenta para o fato de que o elo entre Marina e Campos, à luz da racionalidade, não é tão resistente como aparenta. Basta lembrar a posição da bancada do PSB na votação do Código Florestal, alinhada em peso aos ruralistas. Nem o látex da seringueira que Marina extraía em sua adolescência é capaz de emprestar firmeza a essa liga. Que só se justifica em função das composições frankensteinianas que a política nestes trópicos é capaz de produzir.
Façamos uma leitura dos fatores - alguns de fundo sociocultural - que embasam as práticas eleitorais, a começar pela cultura de votação. O candidato prevalece sobre os partidos. Há casos em que as organizações predominam e avançam sobre os perfis pessoais. Isso ocorre nos espaços onde a polarização entre elas é muito aguda - PT e PSDB, por exemplo, em algumas regiões formam batalhões em seus campos de guerra. Ou com as siglas de caráter religioso (principalmente as patrocinadas por credos e igrejas) e as que ocupam as extremidades do arco ideológico, cujo discurso radical é seletivo, afastando as massas eleitorais (PCO, PSTU, etc.). Sob a ordem de um sistema cognitivo que tende a privilegiar perfis pessoais, transferir votos constitui operação dificilmente viável. Assim, a hipótese de Marina transferir seu patrimônio eleitoral para Campos é frágil. Nem se fossem irmãos siameses a transferência seria realizada. O individualismo é o vértice da política brasileira. Ideários formam apenas pequenas ilhas no arquipélago.
Mas as figuras diferentes de Marina e Campos não contêm uma raiz ideológica comum? É possível. A convivência por bom tempo no mesmo canto do espectro ideológico condiciona amigos de ontem e parceiros de hoje a usarem a mesma linguagem e, por conseguinte, a comporem discurso sintonizado. O parentesco doutrinário favorece a formação de um ideário comum e, nessa condição, os noivos se motivam a formar uma união estável com direito a lua de mel de algumas semanas. Ainda assim, a transferência de voto não se dá em grandes quantidades: pode-se calcular margem de 10% a 15%.
Ademais, por maior esforço que façam os nubentes, a união estará sujeita a trovoadas. E já se ouvem trovões. Marina pediu que Ronaldo Caiado, líder do DEM, conhecido guerreiro ruralista, buscasse a porta de saída do PSB. O deputado aceitou. Alfredo Sirkis, fundador da Rede e um dos principais aliados de Marina, defende "realinhamento" de forças com políticos de outros conjuntos. Marina é contra. Imagine-se, agora, um cabo de guerra puxado pela sonhática e pelo pragmático.
Se a passagem de votos de Marina para Campos não encher o bornal dele, quem acabará levando a melhor com a "jogada de mestre"? A própria Marina, em caso de inversão da chapa, ela encabeçando-a. Ou Dilma. A proximidade entre eles foi firmada no ciclo petista. O governador e a ex-senadora saíram dos espaços que o PT abriu, à esquerda. A Rede e o PSB tentam desfraldar, mesmo de maneira acanhada, a bandeira do socialismo. Logo, o parentesco com a presidente é patente.
Outras pedras do tabuleiro deverão ser jogadas quando os discursos começarem a jorrar das trombetas eleitorais. Os eixos centrais já foram apresentados. Campos tem intensificado a pregação com os verbetes "melhorar, fazer mais e melhor, qualificar serviços públicos". Não é oposicionista como Aécio, que defende um programa radical de "mudanças". As pesquisas mostram a contrariedade da população com os serviços públicos (o que combina com o discurso de Campos), mas não está insatisfeita com seu modo de vida. O bolso do consumidor continua bancando o suprimento cotidiano.
O estado social conduz a hipótese de que o conceito "melhorar" é mais palatável que o verbo "mudar", aquele expressando aperfeiçoamento, melhoria dos serviços públicos, este despertando o receio de uma virada de mesa. A resposta das urnas, como se sabe, será dada pela economia. A manutenção de índices elevados de satisfação, o controle da inflação e a garantia de empregos seriam os requisitos para a candidata à reeleição capturar parcela dos votos de Marina.
Sob essas espessas nuvens, a tão comentada bomba da primavera ameaça perder combustão e virar um traque no verão.
O sonho de Marina Silva é depurar as práticas da velha política, banhando-as nas águas da ética, ou, em seus termos, "assumir responsabilidades com a sustentabilidade política, social, ambiental e cultural". O pragmatismo de Campos tem como ideia "aposentar um bocado de raposas que estão enchendo a paciência do povo brasileiro para o Brasil seguir em frente". A propósito, o governador, tempos atrás, já confessara a este escriba a meta de reunir no mesmo espaço "o grupo pós-64" (citando Aécio Neves, Gilberto Kassab, Ciro e Cid Gomes, entre outros), assumir o comando da Nação e dar adeus aos guerreiros da velha-guarda.
A fome moral da líder da Rede Sustentabilidade e a vontade do neto de Miguel Arraes de presidir a mesa dos comensais do poder produziram o artefato de maior repercussão neste ciclo pré-eleitoral. Como é costume no balcão de nossos produtos políticos, as dobraduras da engrenagem deixam de ser examinadas de forma a mostrar se estão ajustadas ou até se faltam parafusos para dar lugar ao "feito extraordinário" que, à primeira leitura, induz à convicção de que tal parceria abre um rombo nos costados da candidatura governista. Nem se atenta para o fato de que o elo entre Marina e Campos, à luz da racionalidade, não é tão resistente como aparenta. Basta lembrar a posição da bancada do PSB na votação do Código Florestal, alinhada em peso aos ruralistas. Nem o látex da seringueira que Marina extraía em sua adolescência é capaz de emprestar firmeza a essa liga. Que só se justifica em função das composições frankensteinianas que a política nestes trópicos é capaz de produzir.
Façamos uma leitura dos fatores - alguns de fundo sociocultural - que embasam as práticas eleitorais, a começar pela cultura de votação. O candidato prevalece sobre os partidos. Há casos em que as organizações predominam e avançam sobre os perfis pessoais. Isso ocorre nos espaços onde a polarização entre elas é muito aguda - PT e PSDB, por exemplo, em algumas regiões formam batalhões em seus campos de guerra. Ou com as siglas de caráter religioso (principalmente as patrocinadas por credos e igrejas) e as que ocupam as extremidades do arco ideológico, cujo discurso radical é seletivo, afastando as massas eleitorais (PCO, PSTU, etc.). Sob a ordem de um sistema cognitivo que tende a privilegiar perfis pessoais, transferir votos constitui operação dificilmente viável. Assim, a hipótese de Marina transferir seu patrimônio eleitoral para Campos é frágil. Nem se fossem irmãos siameses a transferência seria realizada. O individualismo é o vértice da política brasileira. Ideários formam apenas pequenas ilhas no arquipélago.
Mas as figuras diferentes de Marina e Campos não contêm uma raiz ideológica comum? É possível. A convivência por bom tempo no mesmo canto do espectro ideológico condiciona amigos de ontem e parceiros de hoje a usarem a mesma linguagem e, por conseguinte, a comporem discurso sintonizado. O parentesco doutrinário favorece a formação de um ideário comum e, nessa condição, os noivos se motivam a formar uma união estável com direito a lua de mel de algumas semanas. Ainda assim, a transferência de voto não se dá em grandes quantidades: pode-se calcular margem de 10% a 15%.
Ademais, por maior esforço que façam os nubentes, a união estará sujeita a trovoadas. E já se ouvem trovões. Marina pediu que Ronaldo Caiado, líder do DEM, conhecido guerreiro ruralista, buscasse a porta de saída do PSB. O deputado aceitou. Alfredo Sirkis, fundador da Rede e um dos principais aliados de Marina, defende "realinhamento" de forças com políticos de outros conjuntos. Marina é contra. Imagine-se, agora, um cabo de guerra puxado pela sonhática e pelo pragmático.
Se a passagem de votos de Marina para Campos não encher o bornal dele, quem acabará levando a melhor com a "jogada de mestre"? A própria Marina, em caso de inversão da chapa, ela encabeçando-a. Ou Dilma. A proximidade entre eles foi firmada no ciclo petista. O governador e a ex-senadora saíram dos espaços que o PT abriu, à esquerda. A Rede e o PSB tentam desfraldar, mesmo de maneira acanhada, a bandeira do socialismo. Logo, o parentesco com a presidente é patente.
Outras pedras do tabuleiro deverão ser jogadas quando os discursos começarem a jorrar das trombetas eleitorais. Os eixos centrais já foram apresentados. Campos tem intensificado a pregação com os verbetes "melhorar, fazer mais e melhor, qualificar serviços públicos". Não é oposicionista como Aécio, que defende um programa radical de "mudanças". As pesquisas mostram a contrariedade da população com os serviços públicos (o que combina com o discurso de Campos), mas não está insatisfeita com seu modo de vida. O bolso do consumidor continua bancando o suprimento cotidiano.
O estado social conduz a hipótese de que o conceito "melhorar" é mais palatável que o verbo "mudar", aquele expressando aperfeiçoamento, melhoria dos serviços públicos, este despertando o receio de uma virada de mesa. A resposta das urnas, como se sabe, será dada pela economia. A manutenção de índices elevados de satisfação, o controle da inflação e a garantia de empregos seriam os requisitos para a candidata à reeleição capturar parcela dos votos de Marina.
Sob essas espessas nuvens, a tão comentada bomba da primavera ameaça perder combustão e virar um traque no verão.
MARINA ATRIBUI AVANÇO DE CAMPOS À ALIANÇA COM REDE
Ex-senadora diz estar "muito feliz" em ver que o governador de Pernambuco dobrou suas intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado; "porque foi apenas uma semana", acrescenta, se referindo à sua filiação ao PSB; apesar de afirmar que não se uniu a Eduardo Campos para "urubuzar" sua postulação, candidato ao Planalto pelo partido ainda pode mudar; dupla diz que nome só será definido em 2014
12 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 21:44
247 – A ex-senadora Marina Silva atribui a ela o crescimento do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), no levantamento Datafolha divulgado neste sábado 12. "Fiquei feliz que o Eduardo dobrou a sua intenção de votos", declarou. "Isso me deixou muito feliz porque foi apenas uma semana", acrescentou a ex-ministra, se referindo à sua filiação ao PSB, oficializada no sábado passado.
Segundo a pesquisa, Campos tem hoje os votos de 15% dos eleitores, contra 8% da última pesquisa, realizada em agosto. Em Ribeirão Preto (SP), onde participará de um evento como palestrante, Marina não comentou, no entanto, o fato de ela própria estar à frente de Campos na mostra, mesmo sendo cogitada como vice na chapa. O nome de Marina, no lugar de Campos, leva a disputa para o segundo turno. Em seu melhor cenário, ela tem 29% dos votos.
Apesar disso, Marina diz não se ver como ameaça do colega. Segundo ela, os dois estão focados em discutir um programa para apresentar ao eleitorado. "Nós estamos quebrando essa lógica perversa e debatendo programa, debatendo ideias, buscando melhorar a qualidade da política", declarou. A ex-ministra disse não ter "nenhuma ansiedade tóxica" com relação ao resultado eleitoral. "Eu estou imbuída, determinada, a trabalharmos, sim, a aliança programática porque o Brasil não suporta mais a falta de uma agenda estratégica".
Em entrevista ao jornal O Globo, no início da semana, a líder da Rede declarou que não entrou no PSB para "urubuzar" a candidatura de Campos, apesar de, em outras declarações à imprensa, ter colocado que ela também é uma "possibilidade" para 2014. Em coletiva de imprensa, a dupla anunciou que um nome só será definido mesmo no próximo ano, deixando aberta a possibilidade de Marina passar a ser o principal nome do partido para uma candidatura ao Palácio do Planalto.
DORA: CANDIDATO É EDUARDO, NÃO MARINA
Para a colunista do Estadão, por mais que Eduardo Campos e Marina Silva adiem a definição sobre a candidatura do PSB, o jogo já está definido e o nome é o do governador pernambucano; Marina seria, no máximo, vice; "foi nesses termos que ela o procurou na véspera do anúncio da aliança e é assim que concorrerão", diz ela
13 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 09:37
247 - Para a jornalista Dora Kramer, colunista do Estado de S. Paulo, o jogo do PSB já está definido e o candidato à presidência da República será Eduardo Campos, não Marina. Leia abaixo:
O discurso de que um ou outro pode ser o titular da chapa presidencial será mantido por Eduardo Campos e Marina Silva até dezembro, mas a ordem dos fatores está definida: o governador será o candidato a presidente e a ex-senadora fica na vice.
Foi nesses termos que ela o procurou na véspera do anúncio da aliança e é assim que concorrerão. Não que estejam mentindo quando dizem que a definição virá em 2014. Estão dando tempo ao tempo, esperando a virada do ano para, em janeiro, explicitar em público o combinado em particular.
Até lá, investem na preparação do tão falado "conteúdo programático" - a ser divulgado aos poucos também a partir de janeiro - e farão uma dobradinha em diversos atos políticos com a seguinte simbologia: Marina entra com o sonho e Campos entra com o trabalho braçal de viabilizar material e politicamente a empreitada.
Antes de prosseguir, uma informação importante: esqueçam que um dia Eduardo Campos disse que não seria candidato se o ex-presidente Lula da Silva entrasse na disputa. A declaração perdeu a validade, por dois motivos: primeiro, o jogo é considerado por ele jogado e, segundo, não acredita nem por um segundo que Lula será candidato no lugar de Dilma Rousseff.
A sorte, portanto, está lançada. E se dependesse de Marina e dos companheiros de Rede favoráveis à aliança, a composição teria sido assumida desde o início. Ela não nutre ilusões quanto às resistências que enfrentaria junto ao "establishment". Como a disposição dela é ganhar - se fosse só para marcar posição teria ficado de fora ou ido para o PPS -, neste aspecto foi pragmática.
Sendo assim, por que adiar a oficialização da chapa, por que o suspense, por que deixar em aberto algo que já está fechado? Por razões táticas e estratégicas. Na conversa que tiveram em Brasília, o governador ponderou e a ex-senadora concordou que não seria bom entregar o jogo aos adversários logo na partida. "Quanto mais dúvidas tiverem, mais difícil fica a reação", disse ele.
Além disso, Marina Silva precisaria de tempo para "trabalhar" seus correligionários contrários à aliança e convencer seu eleitorado sobre o acerto da decisão. A indefinição oficial permite ainda que os dois deem prioridade à discussão programática que, do contrário, ficaria em segundo plano em relação às candidaturas.
Pesou outro fator: se não assumir desde já a vice, a ex-senadora, como diz um aliado de Campos, permanece "viva no processo" e ajuda o governador a se tornar conhecido devido à geração de notícias decorrentes da aliança. Efeito que o PSB já espera ver nas próximas pesquisas por causa da exposição do governador nos meios de comunicação.
Por fim, a preservação do segredo - ainda que de polichinelo - mantém em alta o interesse dos políticos e da imprensa sobre o que vai acontecer. "Se dizemos logo o que e como vai acontecer, a novidade envelhece", disse a Marina a voz da experiência de Eduardo Campos, cujo quinto filho nasce em fevereiro batizado Miguel, como o bisavô Arraes.
Relativo. O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, diz que no Brasil "ninguém vota no vice". Tenta reduzir a importância da aliança Campos-Marina; é do jogo. Embora diga uma verdade, não rende homenagem a um movimento de seu partido, o PT.
Quando Lula da Silva se aliou a José Alencar, em 2002, não buscava eleitores na pessoa do empresário-senador. Queria vencer resistências e mandar um recado tranquilizador ao time "de cima".
Plenária. José Serra é enigmático quanto à aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva.
Perguntado a respeito em seguida ao anúncio, respondeu: "A assembleia, sem dúvida, vai continuar em sessão".
KÁTIA ABREU DIZ QUE CAMPOS FOI CONTAGIADO POR MARINA
"O problema da Marina com o agronegócio não é ideológico: é patológico. E Eduardo Campos parece que já foi contagiado", disse ela, sobre o veto de Marina Silva a uma eventual aliança de Ronaldo Caiado (DEM-GO) com o PSB
13 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 07:13
247 - Recém-filiada ao PMDB, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) terá a missão de construir pontes entre o agronegócio e a presidente Dilma Rousseff. Nesse papel, ela continua batendo firme nos adversários de sua mais nova aliada.
"O problema da Marina com o agronegócio não é ideológico: é patológico. E Eduardo Campos parece que já foi contagiado", disse ela, sobre o veto de Marina Silva a uma eventual aliança de Ronaldo Caiado (DEM-GO) com Campos.
Em 2014, Kátia deve concorrer novamente ao Senado, mas há uma possibilidade de que dispute o governo de Tocantins, no lugar do ex-governador Marcelo Miranda.