GUIMARÃES: “UNIÃO CAMPOS-MARINA É COMO ÓLEO E ÁGUA”
Em entrevista ao 247, líder do PT na Câmara avalia que as visões dos dois políticos são "tão distantes" que não sabe se é possível que marchem juntos numa eleição; "É o mesmo que misturar óleo e água, são visões e opiniões tão díspares, divergentes", opina José Guimarães (CE); segundo ele, no entanto, filiação da ex-senadora ao PSB "não atrapalha" a candidatura de Dilma Rousseff; "pelo contrário, estamos seguros"; deputado acredita que os dados do Datafolha divulgado neste sábado "confirmam a seriedade e a destreza com que a presidenta Dilma está conduzindo o País desde as manifestações de junho"
13 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 14:42
Gisele Federicce _247 – Unir Eduardo Campos e Marina Silva na política é como misturar óleo e água, avaliou neste domingo o deputado federal José Guimarães (PT-CE), em entrevista ao 247. Para o líder do PT na Câmara, as visões do governador de Pernambuco e da ex-senadora "são tão distantes" que não sabe se é possível que a dupla marche numa eleição. "É o mesmo que misturar óleo e água, são visões e opiniões tão distantes, tão díspares, divergentes, que eu não sei se eles terão como marchar para uma eleição", afirmou.
Apesar de lamentar o fim do apoio histórico do presidente do PSB ao governo petista, o parlamentar acredita que esta ruptura deve ser vista com "naturalidade". "Nós lamentamos, mas isso não tem que ser razão para qualquer desconforto. É um fato normal da política", avalia o petista. Segundo ele, a aliança "não vai atrapalhar [a candidatura da presidente Dilma]. Pelo contrário, estamos seguros, a Dilma reúne todas as condições pelo governo que ela vem fazendo e é muito importante que avancemos com segurança".
Datafolha
Para José Guimarães, os números da pesquisa Datafolha divulgados neste sábado 12 "confirmam a seriedade e a destreza com que a presidenta está conduzindo o País desde as manifestações de junho". Segundo ele, os pactos anunciados pelo governo federal após os protestos "estão andando" e os dados do levantamento "recomendam" que continuem trabalhando. "Não tem eleição ganha antes do dia, o que nós queremos é pilotar cada vez mais o País, montar um forte palanque eleitoral nos estados e a partir daí vencer no primeiro e no segundo turno", diz o líder petista.
De acordo com o levantamento, Dilma vence logo no primeiro turno se a disputa for com o senador do PSDB Aécio Neves e com Eduardo Campos. A presidente tem, neste cenário, 42% dos votos dos eleitores, enquanto o tucano e o socialista registram, respectivamente, 21% e 15%. Caso o nome de Campos seja trocado pelo de Marina Silva e o de Aécio pelo do ex-governador José Serra, a disputa vai para segundo turno. Nesta projeção, Dilma teria 37%, contra 28% de Marina e 20% do tucano, um placar mais apertado. A presidente é a maior beneficiária caso Marina não entre na disputa como cabeça de chapa: herdaria a maior parte de seus votos, segundo o Datafolha.
http://www.brasil247.com/pt/247/pernambuco247/117692/Guimar%C3%A3es-%E2%80%9CUni%C3%A3o-Campos-Marina-%C3%A9-como-%C3%B3leo-e-%C3%A1gua%E2%80%9D.htm
LULA SUGERE AO PT NÃO ATACAR MARINA E EDUARDO
O ex-presidente aconselhou lideranças petistas a não partirem para o enfrentamento público contra o presidenciável e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e ex-ministra Marina Silva; isso porque não seria interessante para o PT se confrontar publicamente com o PSB a fim de não colocar em risco o apoio dos socialistas num possível segundo turno em 2014
13 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 14:09
PE247 – Mesmo após a aliança entre o presidenciável e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), com a ex-ministra de Meio Ambiente Marina Silva, que, no último sábado, ingressou na legenda socialista, o ex-presidente Lula (PT) aconselhou lideranças petistas a não partirem para o enfrentamento público contra Campos e Marina. A informação é do colunista Cláudio Humberto.
De acordo com o texto, não é interessante para o PT se confrontar publicamente com o PSB a fim de não colocar em risco o apoio dos socialistas num possível segundo turno, com a presidente Dilma Rousseff (PT) e o pré-candidato pelo PSDB, senador Aécio Neves, no páreo.
Enquanto Campos, apesar de reconhecer os feitos da gestão petista, desde o governo Lula, tece críticas à administração da presidente Dilma, o PT tende a exaltar a influência do seu papel no crescimento econômico de Pernambuco e, sobretudo, a distribuição de renda em nível nacional como consequência dos programas sociais.
Se a "ordem" do cacique-mor do PT é não partir para o ataque contra o PSB, por outro lado, o ex-presidente virá ao Nordeste, no primeiro semestre de 2014, para percorrer os estados e enaltecer os investimentos feitos tanto pelo seu governo como pelo da presidente Dilma na região, que é o principal reduto eleitoral do PT. Uma dessas paradas, é claro, será em Pernambuco, que conta com investimentos federais, como o Estaleiro Atlântico Sul (EAS), a refinaria Abreu e Lima, a Petroquímica, a Fiat e a transposição do Rio São Francisco.
O PAPEL DA COALIZÃO DO ÓDIO
CIRO GOMES
O rancor e ambição pessoal unem Marina Silva a Eduardo Campos
Causou surpresa ao meio político e à mídia o anúncio do acordo entre Eduardo Campos, legatário do PSB, e Marina Silva, líder da assim chamada Rede Sustentabilidade, aquele partido que viria para revogar "tudo que está aí" e fundar uma nova forma de fazer política. Fui colega dos dois no ministério do primeiro governo Lula. Conheço razoavelmente ambos. Vou dar um palpite que o futuro definirá se válido ou não.
O cimento dessa abrupta reunião é um dos mais sólidos que a natureza humana pode oferecer: o ódio. Neste caso crescente e que ambos alimentam pela coalizão liderada pela presidenta Dilma Rousseff.
O choque de Marina Silva com o PT tem a ver com uma porção de coisas, mas fundamentalmente tem a ver com a disputa entre ela e Dilma nos tempos do ministério. Uma encarregada de Energia e Minas, a outra do Meio Ambiente. Só para que se tenha uma ideia, Marina queria que o Brasil assinasse uma convenção internacional declarando não renovável a energia hidráulica, pondo sob suspeita de insustentabilidade praticamente toda a base produtiva brasileira.
Lula arbitrou praticamente todos os conflitos contra a posição de Marina. E ela foi embora. Agora é candidata a presidenta da República.
No caso de Eduardo foi um pouco diferente: Lula encheu seu apadrinhado de atenções e Dilma não manteve o mesmo nível de privilégios. E olha que Eduardo Campos vendeu minha cabeça nas eleições de 2010 para atender à pretensão de Lula de fazer uma noviça candidata e presidenta.
Em comum aos dois uma ambição pessoal sem limites. E uma pouco disfarçável vaidade.
Juntemos então umas coisas com outras e teremos o fato mais interessante para a sucessão presidencial e para o Brasil. O tradicional polo conservador reunido ao redor de PSDB-DEM-PPS tende a jogar um papel cada vez mais secundário no processo nacional. Hoje ocuparia o terceiro lugar nas eleições. Bom para o Brasil. Terão de qualificar mais suas propostas, terão de trabalhar mais, valorizar mais os eleitores, não poderão mais se bastar no moralismo de goela e na negação das contradições (que não são poucas) da coalizão PT-PMDB. Bom para o Brasil.
Do lado de Dilma Rousseff, recomenda-se muita humildade, muito cuidado, muita disposição de consertar a montanha de erros que se assiste, a partir de uma equipe fraca, salvo as exceções de praxe. Mas, acima de tudo, a presidenta precisa ocupar o imenso vácuo de ideias que hoje assola o País. Nossa economia vai mal. É aí que mora o perigo real representado por uma força que estava conosco na fundação do projeto e que agora vai para a oposição. Esta não pode ser enfrentada com a ideia simplória e despolitizada da "volta ao passado". Esta tem o potencial de trazer de volta à participação os intelectuais, artistas, estudantes desencantados com o pragmatismo petista-peemedebista. Bom para o Brasil.
Não sou um neutro observador da cena nacional. Tenho lado. Estou convencido de que, com todos os problemas, ainda é a presidenta Dilma a melhor solução para o momento brasileiro. Mas ando muito desagradado de ver certas coisas se repetirem sem resposta, ou, pior, de ter de defender soluções miúdas para grandes problemas. Ou de sonhar com um projeto de desenvolvimento completo que mobilizaria nosso povo, nos vacinando de projetos pessoais, alianças de ocasião, retórica véspera de decepções.
Espero que essa aliança que a todos nos surpreendeu preste esse grande serviço ao País. Que o governo abra o olho.
Espero que essa aliança que a todos nos surpreendeu preste esse grande serviço ao País. Que o governo abra o olho.
A esta altura o leitor atento deve se perguntar se essa aliança tem esse poder todo. Creio que sim, pois na verdade o rei esta nu no Brasil também. Está todo mundo cheio das contradições atuais do poder brasileiro, mas ninguém quer de volta o neoliberalismo macunaímico da turma do Fernando Henrique. Assim...
Tudo isso só vale se uma explosiva contradição se resolver nos intestinos da aliança PSB-Rede. E não é o que a petezada explora na internet ao denunciar o fato de Jorge Bornhausen e Ronaldo Caiado estarem nessa também, como se isso fosse pior do que ter do seu lado Renan Calheiros, Eduardo Cunha e Cândido Vacarezza.
A contradição, aposto, está no fato de Eduardo provavelmente ter prometido que a candidata do partido seria Marina, pedindo a esta que aceitasse uma transição retórica para acalmar meus velhos e (quase todos) queridos companheiros do PSB. Vai avaliar primeiro se a adesão em massa da mídia conservadora o alavanca como candidato e, se sim, enganará a nova companheira. Se não, será ela a candidata. E aí vale meu raciocínio ao quadrado.
Artigo publicado originalmente na revista Carta Capital