MARINA, QUE NÃO TINHA PLANO B, GANHA TEMPO
Ex-senadora, que antes dizia não ter plano B, agora ganha tempo e afirma que sua posição final será revelada no sábado; ou seja: ela ainda pode ser candidata; "o que nós precisamos é de uma agenda estratégica para o País"; diz a ex-senadora; Marina tem convites do PEN, do PPS e do PTB para disputar o Palácio do Planalto; na prática, ela apenas ganhou algumas horas a mais para barganhar a melhor posição para se colocar na disputa; o leilão continua aberto, mas será que seu discurso por uma nova política ficará de pé?
4 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 17:44
247 - Marina Silva ganhou tempo e só irá revelar seu futuro político no sábado. Neste momento, ela concede uma entrevista coletiva, mas disse que sua posição final sai só amanhã. Ou seja: mais uma vez, ela frustrou expectativas.
Na entrevista, em Brasília, ela fala ao lado de Neca Setúbal, herdeira do Itaú Unibanco. Marina diz que pretende acabar com a lógica da "oposição pela oposição" e da "situação pela situação".
Na prática, ela terá mais algumas horas para barganhar com alguns partidos pequenos as melhores opções para se encaixar. Ou seja: o leilão continua aberto.
Leia, abaixo, noticiário da Reuters sobre os convites feitos a Marina:
Após negativa do TSE à Rede, Marina recebe convites de PEN, PPS e PTB
SÃO PAULO, 4 Out (Reuters) - A ex-senadora Marina Silva recebeu novamente convites para se filiar ao PEN, ao PPS e ao PTB após a decisão da Justiça Eleitoral de negar registro à Rede Sustentabilidade, partido que ela tentava criar para disputar a eleição presidencial do ano que vem.
Marina, que ocupa a segunda posição na preferência do eleitorado para a disputa à Presidência em 2014, segundo pesquisas, deve anunciar seu futuro político ainda nesta sexta-feira.
"Solidário reafirmo convite do PPS para que junto com a Rede se integre conosco para ser candidata e disputar 2014", escreveu o presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), no Twitter.
O PPS já havia convidado Marina para se juntar aos quadros do partido quando ela deixou o PV, após disputar a eleição de 2010 pelos verdes e terminar em terceiro lugar com quase 20 milhões de votos.
À época, no entanto, a ex-senadora preferiu trabalhar para fundar a Rede Sustentabilidade, partido que teve o pedido de registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite de quinta-feira.
Marina também recebeu convite para entrar no PTB, que colocou a legenda à disposição da ex-senadora para ser candidata presidencial em 2014, de acordo com o secretário-geral da sigla, o deputado estadual paulista Campos Machado.
"Eu vi uma série de coincidências entre o ideário trabalhista, o petebismo e a pregação da Marina Silva... Para nós, a Marina é o Getúlio Vargas de saia", disse o deputado à Reuters.
"Ela vindo é a candidata nossa (à Presidência)", garantiu Campos Machado, que disse que tratou do assunto com a direção nacional do partido.
Outra legenda que reiterou convite para a ex-senadora foi o Partido Ecológico Nacional (PEN). O presidente da sigla, Adilson Barroso, voltou a afirmar que a direção do PEN aceita inclusive mudar o nome do partido para Rede e que Marina poderá ser a presidente nacional da sigla.
"Se ela quiser uma ideologia voltada à sustentabilidade, tem que vir para o PEN", disse Barroso à Reuters por telefone, acrescentando que vários integrantes da Rede em vários Estados já estavam se filiando ao PEN nesta sexta.
Na avaliação de analistas, a decisão de Marina sobre disputar ou não a Presidência da República será crucial na definição das estratégias dos demais candidatos.
Uma candidatura da ex-senadora pode mudar a polarização entre PT e PSDB, que dominam as disputas presidenciais desde 1994, e aumenta as chances de um segundo turno.
A presidente Dilma Rousseff lidera as pesquisas de intenção de voto à frente de Marina. O presidente do PSDB, o senador mineiro Aécio Neves, aparece em terceiro, e o presidente do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, ocupa a quarta posição nas pesquisas.
(Reportagem de Eduardo Simões)
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/116790/Marina-que-n%C3%A3o-tinha-plano-B-ganha-tempo.htm
FUNDADOR DA REDE DETONA AS FALHAS DE MARINA
Segundo o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), a ex-senadora "comete erros de avaliação estratégica", cultiva um processo decisório "caótico", "reage mal a críticas e opiniões fortes discordantes" e "não estabelece alianças estratégicas com seus pares"; parlamentar afirma ainda que reprovação no Tribunal Superior Eleitoral era previsível; "demos mole", diz ele; erros apontados por um colaborador próximo indicam que Marina na presidência da República talvez fosse um grande risco
4 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 13:14
247 - Depois da derrota avassaladora no Tribunal Superior Eleitoral, por seis votos a um, começam a emergir as divisões no grupo que pretendia fundar a Rede Sustentabilidade. Em artigo publicado em sua página no Facebook, o deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), um dos fundadores da nova legenda, apontou diversas falhas na personalidade de Marina Silva. Leia abaixo:
O Brasil da secular burocracia pombalina, do corporativismo estreito e da hipocrisia politico cartorial falou pela voz da maioria esmagadora do tribunal. A voz solitária de Gilmar Mendes botou o dedo na ferida na forma do juz esperneandi. O direito de, literalmente, espernear.
Para mim não foi surpresa alguma, nunca foi uma questão de fé --Deus não joga nesta liga-- mas de lucidez e conhecimento baseado na experiência pregressa. Eu tinha certeza absoluta que se não tivéssemos uma a uma as assinaturas certificadas, carimbadas, validadas pela repartição cartórios de zonas eleitorais íamos levar bomba.
A ministra relatoria fez uma defesa quase sindicalistas de seus cartórios de sua “lisura” . Gilmar Mendes mostrou claramente o anacronismo deles na era digital. Prevaleceu a suposta “dura lex sed lex” mas que pode também ser traduzido, no caso, pelo mote: “aos amigos, tudo, aos inimigos, a Lei”. E o PT já tinha avisado que “abateria o avião de Marina na pista de decolagem”.
Mas não ter entendido que o jogo seria assim e ter se precavido a tempo e horas foi uma das muitas auto complacências resultantes de uma mística de auto ilusão.
Para ser direto em bom carioquês: “demos mole”.
Marina é uma extraordinária líder popular, profundamente dedicada a uma causa da qual compartilhamos e certamente a pessoa no país que melhor projeta o discurso da sustentabilidade, da ética e da justiça socioambiental. Possui, no entanto, limitações, como todos nós. As vezes falha com operadora política comete equívocos de avaliação estratégica e tática, cultiva um processo decisório ad hoc e caótico e acaba só conseguindo trabalhar direito com seus incondicionais. Reage mal a críticas e opiniões fortes discordantes e não estabelece alianças estratégicas com seus pares. Tem certas características dos lideres populistas embora deles se distinga por uma generosidade e uma pureza d’alma que em geral eles não têm.
Não tenho mais idade nem paciência para fazer parte de séquitos incondicionais e discordei bastante de diversos movimentos que foram operados desde 2010. A saída do PV foi precipitada por uma tragédia de erros de parte a parte. Agora, ironicamente, ficamos a mercê de algum outro partido, possivelmente ainda pior do que o PV.
Quanto à Rede, precisa ser vista de forma lúcida. Sua extrema diversidade ideológica faz dela um difícil partido para um dia governar. Funcionaria melhor como rede propriamente dita –o Brasil precisa de uma rede para a sustentabilidade, de fato-- mas, nesse particular, querer se partido atrapalha.
Ficarei com Marina como candidata presidencial porque ela é a nossa voz para milhões de brasileiros mas não esperem de mim a renúncia à lucidez e uma adesão mística incondicional, acrítica.
Minha tendência ao “sincericidio” é compulsiva e patológica. Nesse sentido não sou um “bom politico”. Desculpem o mau jeito. Hoje tenho oito horas para enfrentar um leque de decisões, todas ruins em relação ao que fazer com uma trajetória limpa de 43 anos de vida política. Mas vou fazê-lo sem angústia de coração leve e mente aberta.
ARTICULAÇÃO AÉCIO-MARINA PASSA PELA GLOBO
João Roberto Marinho, editor do jornal O Globo, procurou Guilherme Leal, da Natura, e transmitiu a informação de que a chapa dos sonhos da família mais poderosa do Brasil seria formada pelo tucano Aécio Neves e pela ainda sem partido Marina Silva, que, nesta sexta-feira, anuncia seu destino; em nota, senador estendeu o tapete vermelho: "o PSDB continuará trabalhando para apresentar um projeto alternativo ao que está aí, com a permanente preocupação com algo extremamente caro a ex-senadora e a todos nós brasileiros, assegurar ao Brasil um desenvolvimento sustentável"; será que sai casamento sob as bençãos da Globo?
4 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 10:58
247 - Família mais poderosa do Brasil, com patrimônio somado de mais de US$ 21 bilhões, os Marinho, da Globo, sempre se notabilizaram por influenciar o destino político do País. Apoiaram os militares, ajudaram a eleger Fernando Collor e deram apoio irrestrito à eleição e à reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Os três governos do PT foram uma espécie de ponto fora da curva, na lógica política do Projac.
Por isso mesmo, a família parece estar decidida a, novamente, usar sua força para tentar influenciar o processo político. Nesta última semana, quando já parecia clara a derrota da Rede Sustentabilidade no Tribunal Superior Eleitoral, João Roberto Marinho, um dos donos do grupo e editor do jornal O Globo, fez chegar ao empresário Guilherme Leal, sócio da Natura e vice de Marina Silva na disputa de 2010, que os Marinho têm uma chapa dos sonhos: Aécio Neves e Marina Silva. Desnecessário dizer que a dupla teria apoio irrestrito da Globo em 2014. A informação foi transmitida ao 247 por fonte próxima à Globo e confirmada por apoiadores de Marina Silva.
Nesta sexta, a ex-senadora anuncia seu destino político. Ela promete uma decisão coerente, ou seja, dificilmente será candidata a presidente por outro partido. O que não impede que se filie para poder participar do jogo.
Ontem, em nota, Aécio Neves, estendeu o tapete vermelho para Marina. Leia abaixo:
Acompanhamos desde o início o esforço de Marina Silva para formação da Rede, e fomos solidários a ela, inclusive, quando a truculência do PT se fez mais presente na tentativa de impedi-la de alcançar seu objetivo no Congresso.
Lamentamos a decisão do TSE, mas temos que aceitar e respeitar a decisão da Justiça.
Mantemos a posição que já externamos em outras oportunidades: a presença de Marina Silva engrandece o debate democrático de ideias.
De nossa parte, o PSDB continuará trabalhando para apresentar um projeto alternativo ao que está aí, com a permanente preocupação com algo extremamente caro a ex- senadora e a todos nós brasileiros, assegurar ao Brasil um desenvolvimento sustentável.
Senador Aécio Neves (MG)
Presidente nacional do PSDB
Presidente nacional do PSDB
RENAN: "MARINA NÃO TEVE CAPACIDADE DE MOBILIZAR"
Numa sexta-feira em que vários parlamentares, como Jorge Viana (PT-AC) e Pedro Simon (PMDB-RS), passaram a mão na cabeça da ex-senadora após a derrota por 6 a 1 no Tribunal Superior Eleitoral, o presidente do Congresso foi direto ao ponto: faltou competência. “Todo mundo cria partido e ao não conseguir criar seu partido, a Marina, infelizmente, demonstrou incapacidade de mobilização e de organização e isso não é bom”, disse ele
4 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 12:50
247 - Nesta sexta-feira, Marina Silva acordou de ressaca, após a derrota por 6 a 1 no Tribunal Superior Eleitoral, mas ganhou o apoio de alguns parlamentares. Jorge Viana (PT-AC) afirmou que a Rede deveria ter sido criada. Pedro Simon afirmou que aconteceram "coisas estranhas". Mas o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi direto ao ponto: faltou competência. Abaixo, o noticiário da Agência Brasil sobre a repercussão no Congresso:
Carolina Gonçalves e Karine Melo
Repórteres da Agência Brasil
Repórteres da Agência Brasil
Brasília - A ex-senadora Marina Silva anuncia hoje (4), às 15h, em Brasília, a decisão sobre o seu futuro político depois da derrota sofrida, ontem (3), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A corte negou o pedido de registro da Rede Sustentabilidade, liderada pela ex-candidata à Presidência. Hoje, no Senado, parlamentares lamentaram o resultado que tira a nova legenda da disputa eleitoral do próximo ano.
Em discurso no plenário, o ex-companheiro de partido de Marina, senador Jorge Viana (PT-AC), saiu em defesa da criação do partido e disse que o Congresso tem responsabilidade nisso. “As regras do jogo político no Brasil estão muito ruins e a culpa é de quem faz a legislação que somos nós. Por que a reforma política não sai?”
Viana disse que o troca-troca de partidos virou um comércio por mais tempo de propaganda na TV e participação no fundo partidário, criando uma situação “vexatória” para o Parlamento. “A legislação hoje ajuda a ficar pior o que já está ruim, quando você tem um partido igual ao Rede Sustentabilidade, que vem de um movimento social e quer buscar um registro partidário, e não passa [pelo TSE]. Aí passa o que não tem nenhuma representatividade social.”
Seguindo a mesma linha de críticas, o senador Pedro Simon (PMDB-RS), atacou a decisão da Justiça Eleitoral. “A Rede Sustentabilidade provou que tinha as assinaturas e que seria um partido sério e responsável. Houve coisas estranhas”, disse. Simon alertou que, enquanto na região do ABC Paulista, recusaram 78% das fichas, “no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina rejeitaram menos de 10%”.
O senador Ruben Figueiró (PSDB-MS) também levantou suspeitas sobre o processo. “Ela [Marina Silva] tomou todas as providências. Acho que houve certo rigor em relação à análise das inscrições. Por que não fizeram isso em relação ao PROS [Partido Republicano da Ordem Social]?”, indagou o parlamentar ao citar o partido aprovado e que será presidido pelo ex-vereador da cidade de Planaltina de Goiás, Eurípedes Junior.
A decisão do TSE foi contrária a um desejo nacional e o TSE deveria ter aprovado, ao menos, um registro provisório, de acordo com Figueiró. “Questão política se decide, não com os termos frios da lei, mas com a intenção da lei que foi a de criar partidos para dar oportunidade para que todas as correntes e opiniões do país se manifestem por meio de uma organização partidária”, disse.
A solução foi a mesma defendida pelo ex-ministro Nelson Jobim. Para ele, a melhor opção seria o TSE conceder o registro ao partido e, na sequência, definir prazo para que a Rede reunisse e validasse as assinaturas. “Assim, você atende aos dois lados: respeita a exigência de ter as assinaturas, que não pode o tribunal recuar, e assegura, por essa forma, a concorrência [da legenda] nas eleições.”
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, também tem dúvidas em relação ao processo que levou a Rede Sustentabilidade à derrota. “Eu, pessoalmente, entendo que não se pode deixar de certificar a autenticidade de uma assinatura de apoio a partido, sem motivação”, disse ao criticar o posicionamento dos cartórios eleitorais na checagem das assinaturas.
Na contramão da defesa de Marina Silva, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) disse que a ex-senadora falhou durante o processo. “Se há algo anárquico no Brasil que precisa ser modificado é essa legislação eleitoral. Todo mundo cria partido e ao não conseguir criar seu partido, a Marina, infelizmente, demonstrou incapacidade de mobilização e de organização e isso não é bom”, afirmou.
TIJOLAÇO PERGUNTA: QUAL É O PARTIDO DE MARINA?
"Marina é uma negação: a negação da política, dos partidos, um messianismo sui generis, destes em que o papel do Messias é ser um nada, um ausente, um personagem cuja finalidade é tentar ser presidente para que outros não sejam", responde Fernando Brito
4 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 14:41
Por Fernando Brito, do Tijolaço
Cite o arguto leitor e a arguta leitora quais eram as ideias do ex-futuro partido de Marina Silva, assim, de cabeça.
Tempo! Ficou difìcil, caríssimos?
Pois é, por isso é uma farsa.
Marina não é uma afirmação, não é um projeto político.
Nem mesmo um projeto político montado em torno de uma pessoa, como se poderia, até incorretamente, dizer que foi o PT em torno de Lula ou o PDT com Brizola.
Marina é uma negação: a negação da política, dos partidos, um messianismo sui generis, destes em que o papel do Messias é ser um nada, um ausente, um personagem cuja finalidade é tentar ser presidente para que outros não sejam.
Apenas isso.
Marina representa apenas a parcela da população que crê que o Estado é um mal e que uma nação é apenas um amontoado de interesses paroquiais.
Montam-se partidos com facilidade, e por isso há 32 deles no Brasil.
Montam-se, inclusive, muito mais por interesses e negócios que por ideologia, viu-se com o “Solidariedade” de Paulinho e outros que tais.
Ou por arranjos locais, como o PROS dos Gomes cearenses e do Garotinho fluminense.
Por que, então Marina não conseguiu montar o dela? Ou será que o “dote” de 19,3% dos votos nas eleições de 2010 não tornava “embarcar” no marinismo atraente eleitoralmente?
Por uma razão: Marina não disputa o poder, mas a notoriedade.
Não disputa o poder pelas razões que ao início se apontou: o de não ter um projeto de país, nem mesmo um projeto para o país.
Isso quer dizer que ela não tem representação social ou que não possa ou não deva concorrer a Presidência?
Não, absolutamente.
Marina representa uma parcela da elite brasileira que não consegue pensar além de seu próprio umbigo, que se sabe uma minoria e gosta disso.
Uma versão cult da “gente diferenciada”, que tem um “projeto social” tao vago e tolo quanto aquelas moças que diziam sonhar em ser “modelo-manequim”. E que tem vergonha de ser tucana, para não parecer o que é: direita.
Náo tenha dúvida, caro amigo e cara amiga. Em colégios eleitorais como aqueles da foto das bruxas de Blair, dava Marina fácil.
Ela era, ali, uma espécie de bibelô bem arranjado, uma “bonne sauvage” educada, com seus lenços “style” à guisa de penachos. Um exotismo divertido.
Voto popular, mesmo, só entre os evangélicos.
Mas Marina era – e ainda pode ser – útil como candidata.
Desvia parcela da classe média que, com nariz torcido e resmungos, acabaria ficando com o povão e a política real e, com isso, facilita o único que a direita pode, neste momento, almejar: ir para o segundo turno.
Essa é a encruzilhada onde ela está.
Se for candidata por outro partido, depois de negar a todos, terá de despir os véus do “diferente”, se entregando a um arranjo eleitoral que, quando no Partido Verde, não era tão perceptível, embora fosse real e sua saída do PV, passadas as eleições, só o confirmou.
Se nao for candidata, numa eleição já desde o início plebiscitária, teria de ser força de apoio – o que dificilmente sua vaidade permitiria – ou ausência.
A conversinha de discriminação à Rede não colou, porque Marina enredou-se na própria arrogância e incompetência de não conseguir, objetiva e tempestivamente um apoiamento que, convenhamos, seria irrisório para quem dizia ter a preferência de um quarto do eleitorado brasileiro.
Hoje, mais tarde, saberemos para onde vai Marina.
Ou, afinal, já sabemos: para lugar nenhum além de seu próprio egocentrismo.