MAIS 3 MIL MÉDICOS: APESAR DA MÍDIA, PROGRAMA AVANÇA
Com a chegada de mais esse grupo, o programa fechará 2013 com mais de 6.600 profissionais, ampliando a cobertura para 22,7 milhões de pessoas; a meta do governo federal é atender a demanda por 12.996 médicos até março de 2014; oposição, no entanto, é pesada; reportagem de Veja, por exemplo, afirma que o que programa tem como principal finalidade sustentar o regime cubano
2 DE NOVEMBRO DE 2013 ÀS 17:35
247 - Nesta segunda-feira, mais 3 mil cubanos chegam ao Brasil, para ampliar a cobertura do programa Mais Médicos. À medida em que avança, o programa recebe também doses maiores de oposição. Reportagem da revista Veja deste fim de semana, por exemplo, aponta que uma das principais finalidades do Mais Médicos é sustentar o regime cubano. Na TV Alterosa, uma reportagem aponta supostos privilégios dispensados aos médicos estrangeiros (assistaaqui).
A gritaria é forte, mas o programa tem apoio popular e, com os 3 mil novos profissionais, ampliará sua cobertura para 22,7 milhões de pessoas.
Abaixo, reportagem da Agência Brasil sobre a chegada dos novos profissionais:
Mais 3 mil cubanos chegam ao Brasil a partir de segunda-feira para participar do Mais Médicos
Thais Leitão
Repórter da Agência Brasil
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Mais 3 mil cubanos chegam ao Brasil a partir da próxima segunda-feira (4) para participar do Programa Mais Médicos. Os profissionais, que vão desembarcar em quatro capitais (Brasília, São Paulo, Fortaleza e Belo Horizonte), ocuparão vagas ociosas da segunda etapa do programa, não preenchidas por candidatos brasileiros e demais estrangeiros. De acordo com o Ministério da Saúde, o primeiro grupo, formado por 2,6 mil médicos, chega ao país até 10 de novembro. Os 400 restantes, na semana seguinte.
A exemplo do que ocorreu com os profissionais que estão no Brasil, inicialmente eles vão cursar o módulo de acolhimento e avaliação do programa nas capitais dos estados onde devem atuar. A etapa terá início para o primeiro grupo (os 2,6 mil médicos) em 12 de novembro. Serão 1.872 profissionais em Brasília (DF), 300 em São Paulo (SP), 236 em Fortaleza (CE) e 192 em Belo Horizonte (MG). Mais 400 médicos chegarão a Vitória (ES) a partir de 11 de novembro e farão o curso em Guarapari, entre 18 de novembro e 4 de dezembro.
A aprovação nesta etapa é condição para todos os estrangeiros participantes do programa receberem o registro profissional provisório que lhes permite atender a população nas unidades básicas de Saúde. Após as três semanas de avaliação, os profissionais ficam em treinamento por mais uma semana nos estados onde trabalharão. No período, eles estudam as doenças mais comuns da região e conhecem a estrutura hospitalar e de emergência da rede pública.
Segundo o ministério, a previsão é que o novo grupo de cubanos comece a fazer os atendimentos nos municípios em dezembro. Os profissionais cubanos participam do Mais Médicos por meio de um termo de cooperação firmada entre o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde em agosto de 2013.
Com a chegada de mais esse grupo, o programa fechará 2013 com mais de 6.600 profissionais, ampliando a cobertura para 22,7 milhões de pessoas. A meta do governo federal é atender a demanda por 12.996 médicos até março de 2014. Novas seleções serão abertas em 2013. Atualmente, 3.664 profissionais participam do Mais Médicos, sendo 819 brasileiros e 2.845 estrangeiros. Eles atendem à população de 1.098 municípios e 19 distritos indígenas, a maioria no Norte e no Nordeste. Os profissionais recebem bolsa de R$ 10 mil por mês e ajuda de custo, pagos pelo Ministério da Saúde. Os municípios são responsáveis por garantir alimentação e moradia.
Sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em outubro, a Lei do Mais Médicos transferiu para o Ministério da Saúde a competência pela emissão dos registros dos profissionais estrangeiros e brasileiros formados no exterior. A responsabilidade sobre a fiscalização da atuação dos médicos foi mantida com os conselhos regionais de Medicina. O documento foi concedido a 1.949 médicos estrangeiros participantes do programa nas últimas duas semanas e, neste sábado, foi publicada portaria no Diário Oficial da União para emissão do documento para mais 565 profissionais, distribuídos em 336 municípios e seis distritos indígenas. Outros nomes serão publicados na próxima semana.
Lançado em 8 de julho, por meio de medida provisória, o Mais Médicos faz parte dos esforços do governo federal para melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), com objetivo de acelerar os investimentos em infraestrutura nos hospitais e unidades de saúde e ampliar o número de médicos nas regiões carentes do país.
http://www.brasil247.com/pt/247/saudeebemestar/119643/Mais-3-mil-m%C3%A9dicos-apesar-da-m%C3%ADdia-programa-avan%C3%A7a.htm
DIRETOR DO ALBERT EINSTEIN DEFENDE MAIS MÉDICOS
O presidente de um dos mais conceituados hospitais do país, o Hospital Israelita Albert Einstein, Claudio Lottenberg, elogia o Programa Mais Médicos, embora reconheça que a iniciativa não é a solução definitiva para os problemas do sistema de saúde; em entrevista a IstoÉ, ele afirma que a presença destes profissionais nos rincões do país é de extrema importância para a população que vive distante dos grandes centros; sobre a reação negativa contra a iniciativa, Lottenberg é claro: “Não se pode lidar com um problema dessa magnitude na base do contra ou do a favor. É uma questão de saúde pública"
2 DE NOVEMBRO DE 2013 ÀS 18:38
Brasil 247 - Indo na direção contrária da maioria da classe médica, o presidente de um dos mais conceituados hospitais do país, o Hospital Israelita Albert Einstein, Claudio Lottenberg, elogia o Programa Mais Médicos, do Governo Federal, embora reconheça que a iniciativa não é a solução para os graves problemas do sistema de saúde. Em entrevista a revista IstoÉ, Lottenberg afirma que o programa supre uma série de carências hoje existentes e que a presença destes profissionais será de extrema importância para a saúde da população que vive distante dos grandes centros.
Para Lottenberg, a presença de médicos nos rincões mais distantes servirá para dar assistência a pessoas que nem sequer sabem que possuem doenças como pressão alta e diabetes. Sobre a reação negativa contra a iniciativa do Governo Federal, Lottenberg questiona a própria classe médica: “Não se pode lidar com um problema dessa magnitude na base do contra ou do a favor. É uma questão de saúde pública que tem inúmeros desdobramentos sociais”.
Veja abaixo os principais trechos da entrevista em que Claudio Lottenberg fala sobre o Programa Mais Médicos e confira aqui a entrevista na íntegra.
O que acha do programa Mais Médicos?
É um programa que nasce como uma iniciativa de curto prazo, voltado para suprir carências. A presença dos médicos em localidades onde não havia ninguém para atender a população trará bons resultados. Eles irão dar assistência a pessoas que sofrem, sem saber, de males como pressão alta e diabetes. Isso não demanda alta tecnologia, mas um médico bem preparado. Outro acerto é o fato de a sociedade se mobilizar em torno do reconhecimento de que a falta de médicos e sua má distribuição são um problema.
Como considera a reação negativa de boa parte dos médicos brasileiros?
Questiono-me se nós médicos não temos sido excessivamente reativos ao programa. Os profissionais do Exterior não vão competir em São Paulo. Eles estarão no interior do País, como no Acre, Estado onde o governador Tião Viana disse não conseguir médicos intensivistas nem por R$ 25 mil. Não se pode lidar com um problema dessa magnitude na base do contra ou do a favor. É uma questão de saúde pública que tem inúmeros desdobramentos sociais.