VEJA E GLOBO INFLARAM MENTIRA DE EIKE A INCAUTOS
Manchete principal da Folha deste domingo revela que, em 2012, Eike Batista divulgava a seus acionistas que poderia retirar 1,8 bilhão de barris de seus poços de petróleo já ciente de que o volume máximo não seria superior a 315 milhões; naquele mesmo ano, dois jornalistas, os colunistas Lauro Jardim, de Veja, e Ancelmo Gois, do Globo, inflavam a fantasia; Lauro dizia até que o petróleo de Eike viria de águas rasas, sendo moleza para extrair; Ancelmo adulava o então bilionário, a quem chama de "Eike Sempre Ele Batista", todos os dias; também em 2012, Veja publicou a famosa capa "Eike Xiaoping", quando melhor seria Eike Xingling
3 DE NOVEMBRO DE 2013 ÀS 13:40
247 - Eike Batista mentiu a seus investidores. De acordo com reportagem principal da Folha de S. Paulo deste domingo (leia aqui), declarou ao mercado que poderia extrair 1,8 bilhão de barris dos seus poços de petróleo, quando auditorias internas da OGX já indicavam que o volume máximo seria de, no máximo, 315 milhões de barris – e ainda assim com riscos geológicos tremendos, dada a distância e a profundidade dos poços.
Divulgar informações falsas ao mercado de capitais é crime. Em países desenvolvidos, gera implicações criminais, podendo levar os responsáveis, inclusive, à prisão. Especialmente porque esse tipo de fraude é capaz de arruinar famílias. As ações de Eike, que chegaram a ser negociadas a mais de 20 reais, na semana passada eram cotadas a 13 centavos.
Eike, no entanto, não estava sozinho. Em sua saga empresarial, ele contou com dois aliados de peso na mídia. Nada menos que os principais colunistas do Rio de Janeiro: Lauro Jardim, de Veja, e Ancelmo Gois, do Globo. Ambos ajudaram a amplificar a fantasia do empresário.
Em janeiro de 2012, Lauro Jardim publicou uma nota que falava em 2 bilhões de barris e dizia até que o petróleo estava nas águas rasas de Paraty – ou seja, seria moleza extrai-lo. Leia abaixo:
Eike: 2 bilhões de motivos para sorrir
A OGX, de Eike Batista, comunicou há pouco à CVM a descoberta de óleo na Bacia de Santos. São, e isso não consta do comunicado, reservas equivalentes a 2 bilhões de barris de petróleo, de acordo com o que ele disse à Dilma Rousseff ontem.
É um volume capaz de fazer muito barulho no mundo do petróleo. Para que se possa comparar, as reservas estimadas no pré-sal são de 5 bilhões de barris.
A diferença é que o óleo descoberto nos poços de Eike Batista estão em águas rasas, tanto em área do pré quanto do pós-sal. O custo de produção, portanto, será mais baixo do que se fosse em águas profundas.
A descoberta deu-se a 102 quilômetros da costa. Numa linha reta, situa-se a 80 quilômetros de Paraty.
Uma coincidência destinada a entrar para o folclore do homem mais rico do Brasil. De acordo com o relato que fez ontem para Dilma Rousseff, quando lhe contou sobre a descoberta, Eike afirmou que a descoberta foi feita na 63ª tentativa – 63 é o número da sorte do supersticioso empresário.
Na conversa, Eike comparou a aventura do Brasil no pré-sal à corrida espacial empreendida pelos EUA nos 60:
- John Kennedy queria ir à lua. Parecia impossível, mas os EUA conseguiram. Com o pré-sal é a mesma coisa.
Enquanto isso, Ancelmo Gois inflava o personagem, a quem chama de "Eike Sempre Ele Batista", e prometia mais: 3 bilhões de barris. Leia abaixo uma nota de 16 de janeiro de 2012:
PetroEike
Eike Sempre Ele Batista achou petróleo a apenas 130 km da costa de Parati em águas rasas. A primeira estimativa é que só nesse campo da OGX possa haver 3 bilhões de barris de óleo leve.
Dilma e Lobão já foram comunicados.
Dilma e Lobão já foram comunicados.
Naquele janeiro de 2012, Veja publicou ainda a famosa capa "Eike Xiaoping", com direito até a editorial do diretor de Redação, Eurípedes Alcântara.
Melhor teria sido "Eike Xingling".
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/119680/Veja-e-Globo-inflaram-mentira-de-Eike-a-incautos.htm
OMISSÃO DE INFORMAÇÕES PODE LEVAR EIKE À CADEIA
Denúncia deste fim de semana revela que, mesmo sabendo que as reservas da OGX poderiam ser muito menores do que o volume anunciado ao mercado, Eike Batista deixou de transmitir a informação a seus investidores; resultado: acionistas viram suas economistas virar pó; "Eles deveriam ter divulgado que havia uma incerteza tão grande sobre as estimativas. O julgamento do que estava correto deveria ter sido deixado para o investidor", opina Norma Parente, ex-diretora da CVM; caso ainda terá muitos desdobramentos de natureza criminal
3 DE NOVEMBRO DE 2013 ÀS 06:54
247 - Uma denúncia publicada neste domingo na Folha de S. Paulo (leia aqui) sinaliza que o caso Eike Batista ainda terá muitos desdobramentos – talvez até de natureza policial.
Segundo a reportagem de Raquel Landim e Renata Agostini, a OGX, joia da coroa de Eike, omitiu –deliberadamente – informações de seus investidores. A falta de informações precisas pode ter feito com que muitos aplicassem suas economias naquela empresa, sem saber da canoa furada em que estavam embarcando.
Documentos obtidos pelas jornalistas apontam que a empresa sabia que o volume de reservas, em vez do 1,8 bilhão de barris informado ao mercado de capitais, era de apenas 315 milhões de barris, ou seja, 17,5% do total anunciado ao mercado.
Os números jamais foram tornados públicos e as ações da OGX, que chegaram a valer mais de R$ 21, estavam cotadas na semana passada a R$ 0,13.
Seria esse o caso de um crime contra a economia popular?
Em resposta à denúncia, a OGX afirmou que sempre manteve seus investidores informados. Mas há controvérsias.
"Eles deveriam ter divulgado que havia uma incerteza tão grande sobre as estimativas. O julgamento do que estava correto deveria ter sido deixado para o investidor", disse à reportagem Norma Parente, ex-diretora da CVM. Segundo o artigo 157, parágrafo 4, da Lei das Sociedades Anônimas, "os administradores são obrigados a comunicar imediatamente fato relevante que possa influir na decisão dos investidores".
Não será surpresa se, em breve, Eike Batista, com dívidas de mais de R$ 11 bilhões, passe a ser acossado também com o risco de uma possível prisão.
GASPARI DETONA EIKE, O BILIONÁRIO-CELEBRIDADE
Praticamente toda a coluna de Elio Gaspari é dedicada ao empresário que protagonizou a mais espetacular queda de todos os tempos; jornalista insinua que empresário pode ter saqueado a empresa; "se o processo de recuperação judicial da OGX levar peritos a examinar saques feitos nos últimos meses no caixa de empresas do grupo, a coisa ficará feia", diz ele
3 DE NOVEMBRO DE 2013 ÀS 09:35
247 - Triste fim o de Eike Batista. Além de praticamente falido, ele tem sido sistematicamente criticado na imprensa. Neste domingo, Elio Gaspari condena o "bilionário-celebridade" e insinua que Eike pode ter saqueado a própria empresa. Leia abaixo seu texto:
Eike Batista, o bilionário-celebridade
A banca esqueceu-se dos exemplos de empresários como Amador Aguiar, Antunes e Sebastião Camargo
A quebra da OGX de Eike Batista era pedra cantada e foi a maior concordata da história do país. Em 2010 suas ações valeram R$ 23,27. Para desencanto de 52 mil acionistas e algumas dezenas de diretores da grande banca pública e privada, saíram da Bolsa a R$ 0,13. Todo mundo ganhará se disso resultar algum ceticismo em relação à exuberância irracional da cultura das celebridades poderosas. Nela juntam-se sábios da banca que se supõem senhores do universo e autoridades que se supõem oniscientes.
Admita-se que um vizinho propõe sociedade num empreendimento. Ele é um homem trabalhador, preparado, poliglota, esportista e bem-sucedido. Apesar disso, expôs sua vida pessoal mostrando que tem um automóvel de luxo na sala de estar, comunica-se em alemão com o cachorro. (O bicho chegou ao Brasil num Boeing privado, com dois treinadores.) Sua mulher desfilava numa escola de samba com uma gargantilha onde escreveu o nome dele e deixou-se fotografar de baixo para cima usando lingerie transparente. Nomeou para a diretoria de uma de suas empresas um filho que declarou só ter lido um livro em toda a vida. Revelou que estava ligado em astrologia, confiando no seu signo (escorpião) e disse coisas assim: "Tenho alguma coisa com a natureza. Onde eu furo eu acho". Quando suas contas começaram a ter problemas, defendeu-se: "Meus ativos são à prova de idiotas". Tem jogo?
Eike tornou-se uma celebridade, listada por oráculos da imprensa financeira como o homem mais rico do Brasil, oitavo do mundo, e anunciou que disputaria o primeiro lugar. Até junho, quando as ações da OGX estavam a R$ 1,21, sentavam-se no seu conselho de administração figuras respeitáveis como o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e a ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie. Lula visitava seus empreendimentos. A doutora Dilma Rousseff dissera que "Eike é o nosso padrão, a nossa expectativa e sobretudo o orgulho do Brasil quando se trata de um empresário do setor privado". Quem entrou nessa, micou, inclusive a doutora.
Em seus delírios, Eike Batista criou uma fantasia que pouco tem a ver com a real economia brasileira, ou com as bases dos setores de petróleo, mineração e infraestrutura. Parte do mico ficou para os gênios da banca internacional. Cada um acreditou no que quis e deu no que deu. Falta de exemplos, não foi. Para falar só de grandes empresários que já morreram, a austeridade foi a marca de empreendedores como Augusto Trajano de Azevedo Antunes, que criou a mineradora Icomi, Leon Feffer, criador da Suzano Papel, e Amador Aguiar, pai do Bradesco. Não foram celebridades. Descontando-se o fato de que "seu" Amador não usava meias, não tinham folclore.
EIKE E AS CONTAS
Se o processo de recuperação judicial da OGX levar peritos a examinar saques feitos nos últimos meses no caixa de empresas do grupo, a coisa ficará feia.
EIKE E OS POÇOS
Entre as lições deixadas por Eike Batista há uma que vai em benefício dele e de todos os empresários perseguidos por maledicências. Quando Eike criou a OGX e levou para sua equipe ex-diretores da Petrobras, a sabedoria convencional estabeleceu que capturara os segredos das pesquisas geológicas da empresa. Essa suspeita foi vocalizada até mesmo pela cúpula da Petrobras. Era lorota. Se eles soubessem onde estava o petróleo, a OGX não teria quebrado.
EIKE E OS BÔNUS
Numa das explicações que Eike Batista deu para suas dificuldades estava a queixa de que diretores de suas empresas inflavam expectativas e resultados para engordar os bônus de fim de ano. A lição vale para todos os empresários. Basta ligar um desconfiômetro. Qual dos diretores seria capaz de sustentar projetos e iniciativas que garantem seu bônus em dezembro e quebram a empresa daqui a alguns anos, quando ele estará na praia? Das diretorias de Eike Batista pelo menos dez executivos saíram com mais de R$ 100 milhões no bolso. Alguns, com R$ 200 milhões. Nenhum micou.
EIKE EM HOLLYWOOD
Um produtor de cinema americano veio ao Brasil para oferecer a Eike o conglomerado da "Playboy" ameri-cana. Durante o jantar, o empresário ofereceu-lhe um negócio melhor: um filme sobre a sua vida. Punha duas condições, o Eike jovem deveria ser Leonardo DiCaprio; o maduro, George Clooney.
EIKE E O PODER
Recordar é viver. Em junho do ano passado, quando Eike Batista emprestou seu jatinho a um poderoso amigo para um feriadão na Bahia, respondeu às críticas dizendo o seguinte: "Tive satisfação em ter colocado meu avião à disposição do governador Sérgio Cabral. (...) Sou livre para selecionar minhas amizades, contribuir para campanhas políticas [e] trazer a Olimpíada para o Rio." Tudo verdade, menos o piro da Olímpiada.
EIKE E FRICK
Faz tempo, um homem de negócios chamado Henry Frick habilitou-se para um empréstimo no banco Mellon. O dinheiro saiu, mas os arquivos do banco mostram que havia uma recomendação de cautela em relação a ele, porque comprava muitas obras de arte. Frick comprou três dos 34 Vermeers conhecidos. Mais três Rembrandts, dois Goyas e até um Cimabue, do século 13. Sua casa, projetada para ser museu, tem uma das melhores coleções do mundo. Até janeiro, quem quiser poderá ir lá para ver a "Menina com o Brinco de Pérola", emprestado pela Holanda. O banco Mellon não arriscava, nem Frick.
EIKE E O ELEVADOR
Despencou mais um empresário que tem elevador privativo em sua empresa, ou bloqueia-o quando está chegando ao prédio. Juntou-se a um grupo onde estiveram Richard Fuld, que destruiu a Lehman Brothers, Angelo Calmon de Sá (Banco Econômico), Theodoro Quartim Barbosa (Comind) e Edemar Cid Ferreira (Banco Santos).
EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo magoou-se ao saber que Eike Batista disse que seus negócios eram à prova de idiotas. Ele continua botando fé no doutor.
EIKE, EDUARDO PAES E A MARINA DA GLÓRIA
Em 2009 Eike Batista comprou a concessão da Marina da Glória, uma área tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Seu plano era transformá-la num anexo náutico do Hotel Glória, construindo um centro de convenções que jamais esteve no projeto original.
Esse patrimônio da Viúva estava nas mãos da Prefeitura do Rio de Janeiro. Até maio passado o prefeito Eduardo Paes explicitou em diversas ocasiões seu apoio ao projeto. Sua assessoria dizia que ele fora aprovado pelo Iphan, mas era patranha. Logo depois a Justiça suspendeu a concessão.
Eike pôs à venda o hotel e passou adiante a marina. No dia 29 de junho, Paes criou uma comissão para definir o futuro da área: "Queremos deixar as regras claras, criar parâmetros. Vai poder ter lojas e centro de convenções? Não vai poder?"
Caso de curiosidade tardia para quem assumiu a prefeitura em 2009.