PE247- O presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, José Albuquerque, desembarca nesta sexta-feira (27), no Recife, para entregar ao governador de Pernambuco, Eduardo Campos, as cartas de desfiliações do governador do Ceará, Cid Gomes, do seu irmão, Ciro Gomes e de outros nomes ligados ao grupo politico liderado por eles. Cid e Ciro Gomes deixaram o PSB após divergências com Eduardo Campos, que também é o presidente nacional da legenda e potencial candidato à Presidência da República em 2014. Até esta sexta-feira pelo menos sete partidos já haviam sinalizado interesse em abrigar os Ferreira Gomes e o seu bloco, formado por quase 500 membros, entre deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores. O anúncio dos irmãos sobre o partido escolhido acontecerá na próxima terça-feira (1).
O “blocão dos Gomes” é composto por 37 prefeitos, 20 vice-prefeitos, 200 vereadores, quatro deputados federais, nove deputados estaduais, um governador (o próprio Cid), um secretário de Saúde (Ciro) e um de Educação de Fortaleza, além de um ministro (Leônidas Neto, dos Portos) e outras lideranças locais. Ao lançar umaa campanha para doação de órgãos, ainda nesta sexta, Ciro Gomes – que também é secretário ed saúde do Ceará - declarou, em tom de humor, que “o partido que mais doar órgãos” terá atenção especial dos irmãos.
O deputado estadual do PMDB Dannilo Oliveira foi um dos que já se dispuseram a dar guarida para os Gomes e seus liderados. Oliveira chegou a declarar que “ficaria muito feliz com a vinda dos irmãos” para as hostes peemedebistas. Já o PT convidou os irmãos através dos deputados estaduais Camilo Santana e Francisco Pinheiro. “Por mim, Cid já teria recebido o convite para se filiar ao PT. Nossa história com ele não é de agora. Começou em Sobral, nos anos 1990, e hoje o PT governa Sobral com Clodoveu Arruda", declarou Camilo, que já foi ex-secretário de Cidades do governo de Cid Gomes. A tendência maior, porém, é que o blocão vá para o PDT. O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, inclusive embarcou nesta sexta para o Rio, onde conversa com instâncias nacionais da legenda.
O detalhe é que se o clã Gomes ingressar no PDT, o deputado estadual Heitor Férrer, um dos maiores opositores aos irmãos cearenses, deverá migrar para outro partido – muito provavelmente o PSB, pelo qual já foi convidado – com força o bastante para disputar o Governo do Estado em oposição ao candidato escolhido por Cid e Ciro Gomes. Uma outra alternativa seria a migração em massa para o recém-criado Pros, o que além de possibilitar o controle da legenda no Estado e um bom tempo de televisão, evitaria a possibilidade do PSB querer retomar através da Justiça o mandato dos dissidentes e infiéis.
A saída dos irmãos Gomes do PSB se deu por divergências que começaram há um bom tempo atrás. Cid já havia declarado para Eduardo, em diversas ocasiões, que apoiaria a reeleição de Dilma Rousseff no pleito de 2014, além de defender a continuação do PSB na base do governo. Após Cid adotar uma postura contrária à entrega dos cargos ocupados pelos socialistas no Governo Federal, ficou claro para Eduardo que o governador não estava mais em pleno alinhamento com as ideias e nem com os planos nacionais da legenda.
A partir daí, começaram as pressões para a saída dos irmãos da legenda. O PSB teria até mesmo convidado a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), e o deputado Heitor Férrer (PDT), dois dos maiores desafetos políticos de Cid, para entrarem no time socialista. Em meio às críticas ao governador de Pernambuco - onde Cid já chegou a chamá-lo de "acanalhado" - os irmãos decidiram que era melhor sair da legenda. Eduardo, em resposta, declarou que eles "não sabiam perder".