KOTSCHO: COM ESTA OPOSIÇÃO, DILMA PODE SIM GANHAR DE W.O.
Colunista ressalta que, enquanto a presidente continua subindo, seus adversários seguem caindo; ele também destaca a via-sacra do deputado Roberto Freire atrás de um nome para 2014; “Sempre em negociações, o führer do PPS também ofereceu a sigla a Marina Silva, que até agora não conseguiu viabilizar sua Rede da Sustentabilidade, seja lá o que isso quer dizer. Sendo contra o PT, para Freire, qualquer candidato serve”
28 DE SETEMBRO DE 2013 ÀS 09:49
247 – Em encontro do PSDB em Curitiba, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) defendeu a candidatura de Marina Silva contra a tentativa do PT de ganhar por W.O. em 2014. Segundo o Balaio do Kotscho, essa hipótese existe, mas por culpa da oposição. Leia:
Dilma subindo, os outros caindo e o rancor de Freire
A presidente petista Dilma Rousseff subiu mais 8 degraus no Ibope, foi a 38% das intenções de voto, e abriu 22 pontos de vantagem sobre a segunda colocada, Marina Silva (sem partido), que caiu de 22 para 16%. Na nova pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira, só a presidente subiu, todos os outros candidatos caíram. Aécio Neves (PSDB) foi de 13 para 11% e, Eduardo Campos, caiu de 5 para 4%.
No mesmo dia, Dilma recebeu outras duas boas notícias, que devem se refletir positivamente nas próximas pesquisas: a taxa de desemprego caiu para 5,3%, a menor do ano, e a renda média dos trabalhadores subiu 1,7% em agosto.
Enquanto isso, a rede nacional de televisão foi ocupada durante 10 minutos pelo PPS de Roberto Freire para denunciar, mais uma vez, que os governos petistas estão acabando com o país. Carregado de rancor, o programa parecia uma novela de época dos tempos da Guerra Fria, que fez lembrar a imagem assustadora das viúvas globais fantasiadas de negros fantasmas após o voto do ministro Celso de Mello a favor dos embargos infringentes na semana passada.
A impressão que me deu é que o programa foi gravado há mais tempo e estava na gaveta aguardando o momento oportuno para ir ao ar. O proprietário do PPS, velha linha auxiliar do PSDB, caminhando para a irrelevância, certamente não poderia ter escolhido dia melhor. Pena que os fatos não o tenham ajudado.
Após as manifestações de protesto de junho e o julgamento do mensalão, Freire deve ter avaliado com o seu estado-maior que Dilma e o PT estavam no chão, e chegara a hora de soltar os seus canhões, já um tanto desgastados pelo tempo. Sem noção do seu tamanho, acreditando no espaço que a mídia sempre lhe deu, na proporção inversa da sua importância política, Roberto Freire chegou a ser candidato a presidente da República, em 1989, quando foi contemplado com 1,06% dos votos
Com seu conhecido senso de oportunidade, carisma, simpatia e sofisticada estratégia política, o dono do PPS, partido que ele fundou em 1992 para substituir o antigo Partido Comunista Brasileiro, e preside até hoje, deputado federal eleito por José Serra em São Paulo, em 2010, Freire escolheu como assistente de palco Stepan Nercessian, ator reserva do segundo time da Globo. Até Soninha Francine (lembram-se dela?), agora sem mandato e sem uma boquinha, deu uma aparecida. O resto nem sei quem é.
Freire entoou o discurso "ético", bufando contra a inflação, os desmandos administrativos e a corrupção, mas só se esqueceu que o artista convidado para ser o âncora do programa, também deputado federal, foi acusado no ano passado de ter pedido e recebido R$ 175 mil do notório bicheiro Carlinhos Cachoeira, o que não o impediu de caprichar no sorriso sarcástico para atacar Dilma e o PT. Na época, o ator deputado garantiu que devolveu o dinheiro, o caso foi arquivado e não se falou mais no assunto.
Memória e coerência não são o forte desse pessoal. Ainda esta semana, o jornalista Sebastião Nery lembrou em sua coluna que o "comunista de carteirinha" Roberto Freire fora nomeado para seu primeiro cargo público, o de procurador do Incra, no Recife, pelo general Médici, no auge da repressão dos anos 1970.
Este ano, Freire ensaiou, primeiro, uma aliança com Eduardo Campos. Depois, tentou fazer a fusão do seu partido com o PMN para criar o MD (Movimento Democrático) com o objetivo de abrigar uma nova candidatura presidencial do parceiro José Serra, que até hoje não decidiu o que pretende fazer da vida. Sempre em negociações, o führer do PPS também ofereceu a sigla a Marina Silva, que até agora não conseguiu viabilizar sua Rede da Sustentabilidade, seja lá o que isso quer dizer. Sendo contra o PT, para Freire, qualquer candidato serve.
Na salada de siglas da política brasileira, que ganhou mais duas esta semana, chegando a 32, o PPS ocupa atualmente o 13º lugar no ranking, atrás do PCdoB, com 12 deputados e R$ 8 milhões do Fundo Partidário para gastar este ano, sem falar nos seus valorizados minutos na televisão, que Freire pode destinar a quem quiser, dependendo da conversa. Na próxima semana, quando se encerra o prazo para filiações e criação de novos partidos, saberemos finalmente em qual onda o PPS vai surfar desta vez.
Já escrevi aqui outro dia e repito: com estes candidatos e esta oposição, Dilma corre o risco de ganhar as eleições do próximo ano por WO.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/116198/Kotscho-com-esta-oposi%C3%A7%C3%A3o-Dilma-pode-sim-ganhar-de-WO.htm
AÉCIO: "GOVERNO QUER GANHAR ELEIÇÃO POR W.O."
Senador participou de um encontro do PSDB nesta sexta-feira (27) em Curitiba, quando defendeu a criação da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva; "acho que o Brasil merece ter uma alternativa como a Marina, como merece ter uma alternativa como o Eduardo, ou quantas outras possam surgir”, disse; sobre as os resultados da pesquisa Ibope, disse que o dado mais importante é que 60% da população não quer votar na atual presidente; Aécio também criticou o governo federal por supostamente discriminar o Estado do Paraná, por ser governado por um tucano e voltou a defender a permanência do ex-governador José Serra no PSDB
27 DE SETEMBRO DE 2013 ÀS 22:26
247 – O senador Aécio Neves, presidenciável do PSDB, participou de um encontro do partido nesta sexta-feira (27) em Curitiba, quando minimizou os resultados da pesquisa Ibope e defendeu a criação de novos partidos no país, a exemplo da Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva. Ele também criticou o governo federal por supostamente discriminar o Estado do Paraná, por ser governado por um tucano. O senador voltou ainda a defender a permanência do ex-governador José Serra no PSDB.
Aécio disse que viu os números da pesquisa, que o colocam em 3º lugar (com 11% das intenções de voto) “com absoluta naturalidade”. “Eu respeito os números de pesquisa. Não questiono, mas um dado que me parece relevante, neste instante, até porque é o que você encontra em todas as pesquisas, é de que entre 60% e 65% da população brasileira não quer votar na atual presidente da República”, afirmou.
Segundo o tucano, o que ele percebe hoje é que “esse sentimento [de rejeição ao PT] é dividido com vários companheiros, inclusive de outras visões políticas” e “de que o candidato que chegar ao segundo turno vai vencer as eleições, porque o ciclo do PT, em benefício do Brasil, precisa ser encerrado”.
Sobre a criação de novos partidos, Aécio disse que o PT foi favorável ao surgimento de novas siglas, quando “permitia a migração de parlamentares da oposição para a base do governo”, mas quando o caminho se inverteu, os petistas passaram a ser contra, com a apresentação de um projeto de lei que limitava a montagem de novas agremiações.
“Em relação ao partido Rede, esperamos – tenho dado manifestações claras em relação a isso, inclusive impedimos ao lado do PSB e de outros partidos, que esse projeto apoiado pelo PT fosse votado e que impediria esse tratamento isonômico –, que ela possa alcançar os requisitos legais para que possa estar no jogo político. Acho que o Brasil merece ter uma alternativa como a Marina, como merece ter uma alternativa como o Eduardo, ou quantas outras possam surgir”, disse.
Para Aécio, “o governo parece querer ganhar por W.O., porque a truculência que usa para impedir que outras forças se organizem é muito grande, jamais vista antes na história do Brasil”.
O senador tucano disse que “é um privilégio para o PSDB ter um quadro como José Serra”. “Qualquer partido no Brasil ou mesmo fora do Brasil gostaria de ter um quadro com a história política de José Serra, com sua qualidade, com sua visão de pais. Que bom que ele está no PSDB e no que depender de nós continuará é absolutamente legítima qualquer postulação, seja presidencial ou outra. O partido tem que respeitá-la. Minha confiança é de que estaremos juntos na frente”, afirmou.
Sobre a ausência de investimentos federais no Paraná, Aécio disse que está “é uma preocupação de todos do PSDB”. “Se o objetivo é, eventualmente, discriminar um governo eleito democraticamente como governador de oposição, o tiro acerta o alvo errado. Acerta a população do estado do Paraná. Não é digno, não é correto, não é aceitável que o Paraná continue, por exemplo, tendo tantas dificuldades para obter os empréstimos internacionais, enquanto outros estados, inclusive com situação fiscal muito mais grave que a do Paraná, não tem tido os mesmos obstáculos”, disse.
MERVAL DIZ QUE PT ESTÁ À FRENTE DOS RIVAIS NA INTERNET
Segundo o colunista do Globo, a ideia de um governo mais aberto ao cidadão-contribuinte e a participação pessoal da presidente nas redes sociais também são uma boa maneira não apenas de aproximar-se do eleitor, mas também de desmentir a imagem de uma gerentona inflexível e raivosa
28 DE SETEMBRO DE 2013 ÀS 08:57
247 – O colunista do Globo Merval Pereira disse que a política do PT nas redes sociais se destaca de outros partidos e que pode também contribuir para desmentir a imagem de uma gerentona inflexível e raivosa da presidente Dilma Rousseff. Leia:
Dilma digital
Que o PT está atento às novas mídias sociais, é sabido desde que, nas últimas eleições, ficou claro que o partido tinha uma verdadeira organização digital dedicada a espalhar pela rede críticas e acusações aos adversários políticos. Há também um bem montado esquema de blogs pagos por verba oficial para elogiar o governo petista e tentar desqualificar os críticos, sejam eles políticos, jornalistas independentes ou cidadãos que não se veem representados pelo governo que está aí.
Basta ver a malhação digital orquestrada recentemente contra as atrizes globais que se vestiram de preto para protestar contra o resultado do julgamento do Supremo tribunal Federal que, aprovando os embargos infringentes, adiou para as calendas gregas o cumprimento das penas a que os mensaleiros já estão condenados.
O surgimento de José Dirceu por trás do fenômeno Mídia Ninja, depois das manifestações de junho, e os financiamentos oficiais às atividades do grupo mostram como o partido está atento às experiências nesse setor.
A atividade de Ricardo Augusto Poppi Martins, o assim chamado coordenador de Novas Mídias e Outras Linguagens de Participação, ligado ao gabinete do ministro Gilberto Carvalho, foi revelada depois de sua participação em uma reunião na embaixada de Cuba para organizar uma campanha de difamação da blogueira Yoani Sánchez em sua recente visita ao país.
Ele viajou em seguida para Cuba, onde participou de um seminário sobre o uso da internet em ações políticas. Pode-se imaginar o que aprendeu por lá, num país que controla a internet para impedir a população de entrar em contato com o mundo.
Há nesse campo, portanto, ações oficiais e outras, ilegais ou clandestinas, que só demonstram como o PT está à frente dos outros partidos no uso dessas novas ferramentas virtuais. Ontem, a presidente Dilma deu novos passos para aprofundar a atuação do governo nesse campo.
Depois das manifestações de junho, o governo está obcecado com esse negócio de mídias sociais, disse-me um ministro. A presidente Dilma, no terreno pessoal, abriu uma página no Facebook, anunciou que vai usar aplicativos como o Instagram e retornou ao Twitter, que havia abandonado após a vitória na eleição de 2010.
Aproveitou um diálogo com a personagem Dilma Bolada para responder à revista inglesa The Economist, que faz sérias críticas ao governo brasileiro na sua mais recente edição. No mesmo dia, lançou o @portalbrasil, o novo site do governo federal.
O mais revelador é que, no discurso de lançamento, a presidente associou-o a outras medidas já tomadas, como Lei de Acesso à Informação ou o Portal da Transparência, para dizer que o seu governo reduziu o grau de assimetria que existe entre o cidadão e o governo, no que se refere a informações .
Ela se disse disposta a construir uma prática sistemática de ouvir as ruas, de ouvir o que querem as universidades, de ouvir o que querem as pessoas, a população da cidade e do campo do Brasil, dos diferentes segmentos sociais, e ouvir as redes sociais, ter com as redes sociais também uma interação .
Continuando com a política de usar internamente a disputa com os Estados Unidos sobre a espionagem cibernética - esse assunto e o Mais Médicos foram os temas mais lembrados pelos cidadãos ouvidos pela mais recente pesquisa Ibope, que mostrou uma subida da popularidade da presidente -, a presidente Dilma voltou a repisar a necessidade de proteger a rede social para impedir que ela se transforme em um campo de batalha cibernético entre países .
É evidente que o governo, qualquer governo, tem mais e melhores condições que os partidos que estão fora dele para fazer o diabo numa eleição, como a própria Dilma admitiu recentemente. A ideia de um governo mais aberto ao cidadão-contribuinte e a participação pessoal da presidente nas redes sociais são uma boa maneira não apenas de aproximar-se do eleitor, mas também de desmentir a imagem de uma gerentona inflexível e raivosa. Mesmo que não passe de puro marketing.