CAMPOS FECHA COM MARINA, QUE SERÁ SUA VICE
Marina entra no PSB e formará, com o governador pernambucano Eduardo Campos, a "coligação democrática", uma espécie de terceira via, disposta a quebrar a polarização entre PT e PSDB; segundo Bazileu Margarido, coordenador da Rede, ex-senadora aceitou ser vice de Campos por reconhecer a sua candidatura; decisão deve arrastar também o PPS para a órbita do socialista
5 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 13:44
247 - Marina Silva vai se filiar ao PSB, de Eduardo Campos. Juntos, formarão a "coligação democrática", uma espécie de terceira via, disposta a quebrar a polarização entre PT e PSDB.
Segundo o coordenador executivo da Rede, Bazileu Margarido, a ex-senadora "se disporia" a ser vice de Campos por "reconhecer" a sua candidatura.
Leia a matéria publicada na Reuters:
Marina Silva deve se filiar ao PSB, diz fonte do partido
Por Jeferson Ribeiro
BRASÍLIA, 5 Out (Reuters) - A ex-senadora Marina Silva deve se filiar ao PSB neste sábado, segundo disse à Reuters uma fonte do partido, acrescentando que ainda não há uma definição sobre qual o papel que ela terá na eventual chapa presidencial do partido no ano que vem.
As negociações entre Marina e PSB ocorreram durante a sexta-feira, segundo esta fonte, e o governador de Pernambuco e presidente da legenda, Eduardo Campos, está em Brasília para filiar a ex-senadora ao partido.
Marina, que ocupa a segunda colocação nas pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de 2014, tentava viabilizar um novo partido para disputar a Presidência, a Rede Sustentabilidade, mas a legenda teve seu registro negado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quinta-feira.
Campos ocupa a quarta posição na preferência do eleitorado, segundo pesquisas. Recentemente o PSB anunciou sua saída do governo da presidente Dilma Rousseff, abrindo caminho para uma candidatura própria do partido à Presidência da República.
Dilma lidera a corrida eleitoral do ano que vem à frente de Marina. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG) está na terceira posição, de acordo com as pesquisas.
O prazo para que os políticos que pretendem disputar as eleições do ano que vem se filiem a um partido se encerra neste sábado.
A informação foi inicialmente publicada no blog Tijolaço, a partir de um post de Merval Pereira, no Globo. Leia abaixo:
Marina Silva se filia ao PSB
5 de outubro de 2013 | 10:15
A notícia acaba de ser anunciada pela CBN, pela Globo e já circula rapidamente pelas redes sociais. Marina Silva se filiou ao PSB de Eduardo Campos. As circunstâncias ainda são meio confusas, mas tudo indica que Eduardo Campos sacou uma solução brilhante da cartola: inventou uma tal de “coligação democrática” e “reconhecerá a existência política da Rede”.
Apesar de surpreendente, não deixa de ser uma solução quase racional. Marina tem poderosos apoiadores financeiros, que fizeram pesada pressão nas últimas horas. O Estadão sequer hesitou em dar nome aos bois: Natura e Itaú. Mencionou-se ainda articulação do próprio Roberto Irineu Marinho, presidente das Organizações Globo.
A turma do dinheiro estava decidida a manter Marina no páreo de qualquer jeito, e não aceitavam a derrota. A sua presença é fundamental para levar a eleição para o segundo turno.
A notícia ainda precisa ser confirmada, naturalmente, por uma declaração da própria Marina Silva.
Coligação democrática
O governador de Pernambuco Eduardo Campos está viajando para Brasília para um encontro com a ex-senadora Marina Silva para fechar um acordo político que terá grande impacto na corrida presidencial. O PSB assinará um protocolo de intenções com a Rede Sustentabilidade para a formação do que chamam de coligação democrática. O PSB reconhecerá a existência política da Rede e dará legenda a Marina e a todos os membros da Executiva Nacional do futuro partido. Na noite de sexta-feira, Marina e Eduardo Campos conversaram por telefone e acertaram os detalhes do acordo, que deve ser fechado dentro de horas. No primeiro momento não se falará sobre a candidatura à presidência da República, permanecendo os dois na condição de pré-candidatos. A definição será dada mais adiante, provavelmente de acordo com a posição de cada um nas pesquisas de opinião. No momento, Marina Silva está em segundo em todas elas, com índices que variam de 25% a 16% e o governador de Pernambuco está em quarto lugar com cerca de 5% dos votos. Ao mesmo tempo, está ocorrendo em Brasília neste momento uma reunião da cúpula do Rede Sustentabilidade com o deputado federal Roberto Freire, presidente do PPS, com a presença da própria Marina e de políticos como o vereador paulistano Ricardo Young. Havia uma conversa anterior em que Marina havia exigido ocupar a vice-presidência do partido e total independência na campanha presidencial, e a reunião de hoje definiria a disposição do PPS de aceitar receber Marina Silva e seus seguidores. Pode ser que a reunião com o PPS seja apenas para informar oficialmente a Roberto Freire que as negociações com o PPS foram superadas pelo acordo político a ser firmado com o PSB. Mas é possível também que alguma nova proposta possa alterar o quadro que prevalece no momento, que é o de Marina assinar hoje a filiação ao PSB e o lançamento da coligação democrática.
Por: Miguel do Rosário
http://www.brasil247.com/pt/247/pernambuco247/116859/Campos-fecha-com-Marina-que-ser%C3%A1-sua-vice.htm
MARINA SERÁ CANDIDATA, APOSTA MERVAL
Ex-senadora conversou com o colunista do Globo e disse a ele que é "resistente para escalar montanhas" e "persistente para contorná-las"; tendência é que ela concorra pelo PPS, de Roberto Freire
5 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 07:53
247 - O jornalista Merval Pereira, colunista do Globo, conversou com a senadora Marina Silva e aposta que ela será candidata. Leia abaixo:
Ninguém sabe o que a ex-senadora Marina Silva anunciará hoje, mas há alguns indícios que levam a crer que ela está querendo se filiar a um partido para poder continuar na disputa pela Presidência da República em 2014. Isso só não acontecerá se as exigências que já deve ter feito a essa tal legenda não forem aceitas.
O que preocupa Marina na verdade é entrar para um partido que hoje se mostra disposto a até mudar o nome para Rede para recebê-la, e mais adiante, devido a pressões do governo ou uma negociação mais vantajosa, negue legenda a ela.
Nesse ponto, o PPS do deputado Roberto Freire é mais seguro, tem uma história política que garante os acordos. Mas as exigências para o PPS também têm que ser menores. No final da noite de ontem, Marina chamou a Brasília os deputados que a apoiam para fazer um balanço das forças políticas que podem ajudar na sua campanha para a formação do partido Rede Sustentabilidade, projeto político de que não abre mão.
O mais provável é que durante o próximo ano ela se dedique simultaneamente à campanha eleitoral e à criação da Rede, mas será preciso compatibilizar as duas tarefas, para que uma não se confunda com a outra e não atrapalhe a clareza de sua mensagem de candidata a presidente, que muitos críticos já consideram gongórica demais.
Como a Rede não poderá aparecer na urna eletrônica em 2014, mesmo que tenha o registro concedido pelo TSE antes das eleições, a primeira impressão de seus apoiadores é que ela não deveria ser formada no ano da eleição, para não confundir o eleitor.
Há também um detalhe técnico: os políticos que foram liberados por Marina para seguirem caminhos próprios, já que ela não se definiu ainda a qual vai se filiar, estão mudando de partido, pois ficaram sem ambiente nas legendas anteriores por fazerem explicitamente a campanha de Marina. É o caso do deputado Miro Teixeira, que trocou o PDT pelo PROS para se candidatar ao governo do Rio, e Alfredo Sirkis, que ontem mesmo se desligou do
Partido Verde e ainda decide para onde te O fato é que a ex-senadora Marina Silva, depois do choque de realidade que recebeu com a rejeição do registro de seu partido, parece estar disposta a não sair do campo de batalha. Ela me disse, em conversa por telefone, naquela linguagem própria dela que une metáforas e messianismo, que é muito resistente para escalar as montanhas que aparecem na sua frente, e persistente o bastante para contorná-las quando não puder escalá-las.
Quando disse, na entrevista coletiva de ontem, que o que pesa mais para a tomada de decisão tem a ver com "a escolha do que mais contribui para o país que queremos" está dando a entender que procura a maneira mais adequada para abrir uma nova senda no caminho que havia previamente traçado, mas mantendo o objetivo final: criar condições para "um Brasil que possa atualizar o processo da política".
Ao salientar que esse processo está, infelizmente, em "erosão política" ela deu a dica para onde se inclina, pois quem faz esse diagnóstico não pode abrir mão de uma ação imediata. Deixar de participar da eleição presidencial para supostamente manter a coerência do seu projeto seria postergá-lo, o que talvez servisse mais à sua imagem pessoal do que à causa que defende.
Sintomático é que tenha respondido a uma pergunta sobre se não seria incoerência ir para uma sigla qualquer, com o raciocínio de que o que vai pesar mais na decisão "é o que pode construir melhor, independentemente da vaidade" Ela não abre mão dos 20 milhões de votos que recebeu em 2010, que simbolicamente lhe foram dados num dia 3 de outubro, coincidentemente o mesmo em que o TSE decidiu cassá-la, segundo sua interpretação da decisão de não conceder registro ao seu partido.
Como ela mesma disse ontem, sua percepção é que "corremos o risco de perder os avanços que tivemos na política social e econômica devido ao atraso na política" e certamente a "resposta compatível, e potencializadora para que o país possa avançar" não é a desistência.
Nesse ponto, o PPS do deputado Roberto Freire é mais seguro, tem uma história política que garante os acordos. Mas as exigências para o PPS também têm que ser menores. No final da noite de ontem, Marina chamou a Brasília os deputados que a apoiam para fazer um balanço das forças políticas que podem ajudar na sua campanha para a formação do partido Rede Sustentabilidade, projeto político de que não abre mão.
O mais provável é que durante o próximo ano ela se dedique simultaneamente à campanha eleitoral e à criação da Rede, mas será preciso compatibilizar as duas tarefas, para que uma não se confunda com a outra e não atrapalhe a clareza de sua mensagem de candidata a presidente, que muitos críticos já consideram gongórica demais.
Como a Rede não poderá aparecer na urna eletrônica em 2014, mesmo que tenha o registro concedido pelo TSE antes das eleições, a primeira impressão de seus apoiadores é que ela não deveria ser formada no ano da eleição, para não confundir o eleitor.
Há também um detalhe técnico: os políticos que foram liberados por Marina para seguirem caminhos próprios, já que ela não se definiu ainda a qual vai se filiar, estão mudando de partido, pois ficaram sem ambiente nas legendas anteriores por fazerem explicitamente a campanha de Marina. É o caso do deputado Miro Teixeira, que trocou o PDT pelo PROS para se candidatar ao governo do Rio, e Alfredo Sirkis, que ontem mesmo se desligou do
Partido Verde e ainda decide para onde te O fato é que a ex-senadora Marina Silva, depois do choque de realidade que recebeu com a rejeição do registro de seu partido, parece estar disposta a não sair do campo de batalha. Ela me disse, em conversa por telefone, naquela linguagem própria dela que une metáforas e messianismo, que é muito resistente para escalar as montanhas que aparecem na sua frente, e persistente o bastante para contorná-las quando não puder escalá-las.
Quando disse, na entrevista coletiva de ontem, que o que pesa mais para a tomada de decisão tem a ver com "a escolha do que mais contribui para o país que queremos" está dando a entender que procura a maneira mais adequada para abrir uma nova senda no caminho que havia previamente traçado, mas mantendo o objetivo final: criar condições para "um Brasil que possa atualizar o processo da política".
Ao salientar que esse processo está, infelizmente, em "erosão política" ela deu a dica para onde se inclina, pois quem faz esse diagnóstico não pode abrir mão de uma ação imediata. Deixar de participar da eleição presidencial para supostamente manter a coerência do seu projeto seria postergá-lo, o que talvez servisse mais à sua imagem pessoal do que à causa que defende.
Sintomático é que tenha respondido a uma pergunta sobre se não seria incoerência ir para uma sigla qualquer, com o raciocínio de que o que vai pesar mais na decisão "é o que pode construir melhor, independentemente da vaidade" Ela não abre mão dos 20 milhões de votos que recebeu em 2010, que simbolicamente lhe foram dados num dia 3 de outubro, coincidentemente o mesmo em que o TSE decidiu cassá-la, segundo sua interpretação da decisão de não conceder registro ao seu partido.
Como ela mesma disse ontem, sua percepção é que "corremos o risco de perder os avanços que tivemos na política social e econômica devido ao atraso na política" e certamente a "resposta compatível, e potencializadora para que o país possa avançar" não é a desistência.
MARINA E EDUARDO CAMPOS = SEGUNDO TURNO. E NADA MAIS
EDUARDO GUIMARÃES
Uma reeleição dura para Dilma nunca foi novidade. A partir de agora, em vez de três adversários competitivos a presidente terá só dois, ainda que mais fortes do que seriam se fossem três
Acaba de ocorrer o fato político mais importante do ano: entre sete e oito partidos (conforme a versão) ofereceram à ex-senadora e ex-candidata a presidente Marina Silva o acolhimento de sua candidatura a presidente da República no ano que vem, mas o PSB, do governador Eduardo Campos, com empenho pessoal deste para aliciá-la, levou a melhor.
Além do PSB – partido que vem se estruturando nacionalmente com força, nas últimas eleições – e de tantos outros partidos que lhe ofereceram filiação, Marina também contou com a simpatia de setores do PSDB que vinham trabalhando pela constituição do partido dela, ainda que pensando em como ser criado ajudaria Aécio Neves a ir ao segundo turno.
Marina ainda conta com a simpatia da grande mídia oposicionista, dos banqueiros e dos grandes empresários. No vigoroso PSB e com tantas forças econômicas e políticas ao seu lado, será uma vice com luz própria de Eduardo Campos, que, apesar de ser forte apenas em Pernambuco, terá agora mais chances de ser a principal candidatura anti-Dilma.
Para os antipetistas de várias tendências que ora comemoram o já quase certo segundo turno que a nova configuração de pré-candidaturas a presidente praticamente assegura, entre os antipetistas tucanos a comemoração deveria ser menos contida ou, se houver realismo, deveria até ser lamentada.
Claro que, com o quadro supra descrito, a candidatura Dilma perde a chance de liquidar o jogo no primeiro turno, mas a força da aliança entre Marina e Campos (mídia + capital + garantia de bom tempo de tevê) já ameaça a ida de um tucano (quase certamente, Aécio Neves) ao segundo turno.
Em um hipotético – e, agora, mais do que provável – segundo turno, é mais do que claro que o PSDB não hesitará em pular no barco de Campos e Marina, o que tornará mais difícil para Dilma também a segunda etapa da eleição presidencial do ano que vem. Contudo, os petistas sempre trabalharam com a hipótese quase certa de segundo turno desde que chegaram ao poder.
Uma reeleição dura para Dilma, portanto, nunca foi novidade. E antes que os petistas e simpatizantes se desesperem, lembremo-nos de que, a partir de agora, em vez de três adversários competitivos a presidente terá só dois, ainda que mais fortes do que seriam se fossem três. Porém, só um irá ao segundo turno.
Se for Aécio, Marina e Eduardo Campos retornarão ao seus tamanhos reais; se a chapa do PSB vingar, o PSDB sofrerá uma perda de importância e de tamanho que lhe será trágica. E quando uso este adjetivo, quero dizer trágico mesmo. Uma catástrofe para os tucanos.
A garantia de segundo turno que o arranjo entre Marina e Eduardo Campos gerou, porém, não vai além disso. Haver segundo turno não significa, de fato, uma vitória oposicionista, mas a certeza de que o Brasil, mais uma vez, dividir-se-á entre os que enxergam os avanços do país e os que se negam a enxergar.
Como quando se fala em avanços do país não se fala em vento, mas em ganhos de qualidade de vida mais do que concretos para a esmagadora maioria da sociedade, é quase certo que terá sido inútil toda essa politicagem em que Marina se envolveu ao abandonar seu projeto de criação de um partido ideológico só para disputar uma eleição.