DILMA PERDE OU GANHA COM CANDIDATURAS DOIS EM UM?
Neste exato momento, a presidente Dilma poderia estar diante de um cenário com cinco candidatos ao Palácio do Planalto: ela própria, Aécio Neves, pelo PSDB, José Serra, pelo PPS, Eduardo Campos, pelo PSB, e Marina Silva, pela Rede; Aécio conseguiu segurar Serra no ninho tucano e Campos fisgou Marina; agora, sobram apenas três postulantes ao cargo; na última pesquisa Ibope, Dilma já vencia no primeiro turno; e agora?
5 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 13:43
247 - Na última pesquisa Ibope, realizada em setembro, a presidente Dilma Rousseff já voltava a vencer em primeiro turno. Tinha 38% das intenções de voto, contra 16% de Marina Silva, 11% de Aécio Neves e 4% de Eduardo Campos.
Por isso mesmo, a oposição estimulava outras candidaturas. José Serra, por exemplo, concorreria pelo PPS. E colunistas da mídia conservadora defendiam enfaticamente que a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, fosse aprovada, para que pudesse haver maior competição política, em 2014.
Assim, com cinco candidatos (Dilma, Marina, Aécio, Serra e Campos), um segundo turno seria praticamente inevitável.
No meio da semana, ocorreu a primeira eliminação. José Serra foi convencido por Aécio Neves a permanecer no PSDB. E ainda que não se esforce pelo mineiro, o PSDB tem hoje uma situação de "dois em um".
Neste sábado, veio a segunda eliminação, com a filiação de Marina Silva ao PSB, onde deverá ser vice de Eduardo Campos (leia mais aqui). Novamente, outra situação "dois em um".
Para onde irão os votos de Serra e Marina, ninguém sabe. Mas é improvável que todos eles sejam incorporados por Aécio e Eduardo – nomes que ficaram mais fortes, mas não se sabe, ainda, se a ponto de provocar um segundo turno.
As respostas virão nas próximas semanas, com novas pesquisas eleitorais. Desta vez, com apenas três candidatos: Dilma, Aécio e Eduardo. Será que a presidente ganhou ou perdeu com esse novo cenário?
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/116865/Dilma-perde-ou-ganha-com-candidaturas-dois-em-um.htm
JOÃO SANTANA VÊ RIVAIS DE DILMA COMO "ANÕES"
Para o marqueteiro oficial do PT, João Santana, as eleições presidenciais de 2014 já estão decididas e a presidente Dilma será reeleita no primeiro turno; "A Dilma vai ganhar no primeiro turno, em 2014, porque ocorrerá uma antropofagia de anões. Eles vão se comer, lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo”, afirma; jornalista Josias de Souza, colunista do Uol, condena "soberba" de Santana, que já faturou R$ 95,6 milhões com as campanhas feitas para o PT
5 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 13:52
247 - O jogo já está ganho. A presidente Dilma será reeleita em primeiro turno e seus adversários – o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o governador pernambucano Eduardo Campos, do PSB, e a ex-senadora Marina Silva – são "anões". A tese é do jornalista João Santana, marqueteiro oficial do PT, que cuidará das principais campanhas do partido em 2014, como a da presidente Dilma Rousseff e do ministro Alexandre Padilha, em São Paulo.
"A Dilma vai ganhar no primeiro turno, em 2014, porque ocorrerá uma antropofagia de anões. Eles vão se comer, lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo”, disse ele ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho (leia aquitrechos da entrevista concedida ao jornalista da revista Época). “O que menos crescerá, ao contrário do que ele próprio pensa, é justamente Eduardo Campos”, disse. Nos últimos anos, sua empresa, a Pólis Propaganda e Marketing já recebeu R$ 95,6 milhões do PT, segundo números de prestações de contas disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral.
A entrevista de Santana a Época provocou uma censura do jornalista Josias de Souza, colunista do Uol, que condenou a "soberba" do marqueteiro petista. Leia abaixo:
João Santana: Dilma baterá ‘anões’ no 1º turno
Josias de Souza
Tomado pelas palavras, o marqueteiro do PT, João Santana, considera que a eleição presidencial de 2014 é um desperdício de tempo e dinheiro. O resultado já está definido. Só Dilma Rousseff vai à raia sucessória como nadadora. Todos os seus antagonistas mergulharão na disputa como afogados.
João Santana jogou os búzios numaentrevista ao repórter Luiz Maklouf Carvalho. Vale a pena ouvi-lo: “A Dilma vai ganhar no primeiro turno, em 2014, porque ocorrerá uma antropofagia de anões. Eles vão se comer, lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo.”
Ele inclui no rol dos “anões” Marina Silva, Aécio Neves, Eduardo Campos e até José Serra. Dedica uma dose adicional de veneno ao mandachuva do PSB. Sustenta que, entre todos os nanicos, “o que menos crescerá, ao contrário do que ele próprio pensa, é justamente Eduardo Campos.”
Quer dizer: a democracia pode funcionar como um corretivo para a falibilidade humana. Mas não passa de um estorvo para um governo infalível. Por sorte, João Santana está aí para informar que o PT, que fará aniversário de 12 anos no poder em 2014, governará até 2018. Melhor assim. Por que dar um prazo fixo à felicidade, sacrificando-a por uma formalidade eleitoral?
SINGER VÊ OPOSIÇÃO EM APUROS NO PAÍS
Para o jornalista, que foi porta-voz de Lula, Marina terá que explicar a todo momento sua própria ambição e, no PSDB, Aécio Neves será sabotado por José Serra; fora isso, há ainda a dificuldade em construir um discurso popular
5 DE OUTUBRO DE 2013 ÀS 07:59
247 - O jornalista André Singer, ex-porta-voz de Lula, aponta um cenário difícil para a oposição em 2014 e a tendência de a presidente Dilma Rousseff ser reeleita em primeiro turno. Confira:
Dificuldades da oposição
Apenas hoje saberemos se Marina Silva vai se filiar a algum partido a tempo de poder disputar a eleição de 2014.
Independentemente disso, ao ver barrado o registro da Rede pelo TSE na noite de quinta-feira, o grupo da ex-senadora deu mostras de uma fragilidade organizativa inexplicável. Mesmo que tenham ocorrido boicotes cartoriais, como afirmam os sonháticos, caso a coleta de assinaturas tivesse começado há mais tempo -- os anos de 2011 e 2012 foram perdidos sem motivo aparente--, a agremiação da ex- senadora não correria hoje qualquer risco.
As duas opções restantes para o que venho chamando de "novo centro" são ruins do ponto de vista da estruturação de uma terceira força na política nacional. A primeira é ficar fora da corrida do ano que vem. Nada impede, é certo, que, uma vez registrada a Rede, o que certamente acontecerá nos próximos meses, Marina seja candidata competitiva em 2018. No entanto, como mostrou a experiência de Lula, as candidaturas presidenciais no Brasil são poderosas alavancas para organizar partidos. Com isso, quatro anos seriam desperdiçados.
Caso opte por filiar-se a qualquer sigla, Marina pagará o preço de, a todo momento, ter de explicar se cedeu à ambição, uma vez que pretende regenerar os hábitos políticos brasileiros e acabou por usar uma espécie de legenda alugada apenas para ser candidata. Em função disso, uma parcela (mesmo que minoritária) mais engajada do seu eleitorado vai se afastar, reforçando o desencanto com as instituições.
De outro lado, a maneira pela qual José Serra conduziu o processo que o levou, no final das contas, a ficar no PSDB indica o estado de desunião em que se encontram os peessedebistas. O longo flerte de Serra com o PPS mostrou o quanto o ex-governador de São Paulo está incômodo com a prevalência de Aécio Neves no ninho tucano.
Ao ser eleito presidente do partido em maio passado, o ex-governador de Minas adquiriu controle sobre a máquina, tornando praticamente inviável qualquer pretensão serrista a ser candidato à Presidência da República. Em troca, as chances de apoio efetivo ao mineiro por parte do paulista são próximas de zero.
Não obstante os problemas organizativos e de unidade da oposição que ficaram claros nesta semana, a sua dificuldade de fundo ainda é encontrar uma via para tornar-se popular. Se não conseguir atingir o chamado "povão" --para isso, precisará mostrar algum compromisso com as necessidades materiais das camadas de baixa renda--, ficará apenas na dependência de uma piora na economia, com reflexo na inflação, no emprego e na renda.
ÉRAMOS SEIS
Dilma, Aécio Neves, Eduardo Campos, Marina Silva, José Serra e Joaquim Barbosa. Destes, quantos realmente têm fôlego para chegar ao fim da maratona?
No reality show da política brasileira, a semana foi marcada por paredões importantes. O primeiro personagem eliminado foi José Serra, que, após um longo período de suspense, tomou a decisão mais previsível. Permanecerá no PSDB, onde terá espaço para, no máximo, disputar o Senado Federal, em 2014. De todos os participantes da "casa", era o que angariava menos simpatia e sua saída não é propriamente uma surpresa.
Depois, foi a vez de Marina Silva. Embora carismática, não aprendeu as regras mais elementares do jogo. A primeira delas, a de que só chega ao fim quem é capaz de cumprir requisitos básicos da política, como a organização de um partido. Diante da letra fria da lei, de nada adiantaram seus apelos para que o Tribunal Superior Eleitoral adotasse o chamado "jeitinho marineiro". Para o público externo, ela mostrou falta de competência. E jamais poderá alegar que lhe faltaram tempo e recursos para montar a sua Rede.
Joaquim Barbosa, como juiz, conta com um privilégio legal e poderá se filiar a um partido até março do ano que vem. Ainda assim, seu nome é cada vez menos lembrado como uma alternativa real de poder. Irritadiço, o ministro tem se notabilizado por confusões a cada semana – a mais recente foi a tentativa de afastar a esposa de um jornalista que trabalha no Supremo Tribunal Federal. Uma atitude incompatível com a de alguém que possa estar sonhando com voos mais altos.
Assim, restam hoje, três personagens na casa: Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos. Ela, confortavelmente instalada na suíte principal, acompanha do alto os tropeços dos adversários. Nas próximas semanas, provavelmente, será felicitada com pesquisas que voltam a lhe dar uma vitória folgada em primeiro turno. Números que serão lidos por políticos em todos os estados e facilitarão a construção de suas alianças e de seus palanques regionais.
Nesse contexto, o próximo alvo da ofensiva será Eduardo Campos e o Palácio do Planalto fará de tudo para que ele desista da disputa. Atingido pela sabotagem dos irmãos Gomes, no Ceará, Campos viu sua base nordestina ser dividida e terá que lutar muito para reconstruir seu exército.
O PT trabalha, claramente, para que a eleição de 2014 tenha um primeiro turno com jeito de segundo, ou seja, com apenas dois candidatos: Dilma e Aécio. A aposta é que, nesse cenário, tudo já estará resolvido em outubro do ano que vem. O PSDB, por sua vez, estimulava outras candidaturas para tentar garantir um segundo round. Mas se o novo cenário é desfavorável, ao menos garante uma polarização precoce no tradicional Fla-Flu da política, entre petistas e tucanos.
* esta coluna, publicada originalmente na revista Istoé, foi finalizada antes do acordo entre Eduardo Campos e Marina Silva, que visa quebrar a polarização acima descrita